* Olha nossa coluna voltando com força total! Agora, toda semana, irei utilizar esse espaço para compartilhar minha opinião sobre assuntos relevantes do nosso Jiu-Jitsu, além de entrevistas com professores e mestres.

Que o Jiu-Jitsu cresce em todo planeta, isso não é novidade. Hoje, temos competições de alto nível em todos os lugares. A quantidade de atletas de qualidade que surgem é algo que chama atenção, a cada torneio, nova revelação. A cada disputa, atletas de diversas nacionalidades despontam nas competições mundo afora. Por aqui, em terras brasileiras, temos inúmeras competições, proporcionando um crescimento acelerado. Por um lado, isso é positivo, pois há uma ebulição de técnicas sendo desenvolvidas. Só que existe outro lado nessa moeda: com a corrida pelo aperfeiçoamento técnico, essa fome de conquistar medalhas e fama, na maioria das vezes, a busca pela essência é deixada de lado, limitando o crescimento do lutador.

Esses jovens são treinados para serem caçadores de pódios, mas será que esse desenvolvimento atlético vem atrelado ao autoconhecimento? Ao respeito, humildade e disciplina? Será que a sede por títulos faz os professores esquecerem de ensinar que o tempo de competição irá acabar, mas a essência marcial, perdurará? Essa essência que irá fazer você atingir um nível de entendimento profundo do que é ser um artista marcial. Isso pode fazer a diferença de como esse jovem irá encarar as dificuldades da vida. Afinal, temos que lembrar que na maioria das vezes, os pais procuram uma arte marcial como uma ferramenta de auxílio educacional. Isso não pode ser esquecido, a prioridade não é fazer atletas, sim pessoas de caráter.

Vejo pais preocupados com o sucesso profissional dos seus filhos quando estes ainda são crianças, exigindo um desempenho atlético de um adulto. Olha, sinceramente, me preocupo muito com isso, pois podemos estar criando uma geração de excelentes atletas, mas também podemos estar criando uma geração de crianças e adolescentes cheias de frustrações e doenças emocionais. Devemos lembrar que apenas um chegará ao topo nesta corrida, temos que preparar esses jovens para serem pessoas melhores, mais dignas, respeitosas, resilientes e fortes emocionalmente. O aprendizado deve ser constante, não apenas em aspectos técnicos, mas também sócios-emocionais. Aprender a ter humildade na derrota e ainda mais humildade para saber ganhar, já é um grande passo na formação de pessoas bem-sucedidas na luta da vida.

Vale a reflexão… Fiquem firmes, fiquem fortes, fiquem com Deus!

* Por Carlão Barreto