* Você consegue se imaginar acordando em um belo dia sem os movimentos do seu corpo? Hoje irei falar sobre superação e a importância da resiliência em nossas vidas, ainda mais neste período sombrio de pandemia que todos nós estamos vivendo. Lembrando que a pandemia é um problema coletivo e não individual, como muitos ainda pensam. Período onde a notícia ruim impera e, por esse motivo, escrever sobre superação nos ajuda a elaborar nossas inseguranças, trazendo um pouco de esperanças e fé diante do caos.

Antes de começar a falar sobre superação, um breve histórico sobre a o que é a “Síndrome de Guillain Barré”. Tal síndrome é uma condição médica relativamente grave e bastante peculiar. Nela, o sistema imunológico passa a atacar os nervos que fazem parte do sistema nervoso periférico, causando severos sintomas no paciente, como falta de reflexos e forte fraqueza muscular, por exemplo.

O início da doença é precedido por infecção respiratória ou gastrointestinal, oriunda dos agentes Epstein e Barr, Citomgalovírus, Campylobacter Jejuni, Mycoplasma pneumonia e também há relatos com outros agentes, como a Salmonella Typhi e o Zika vírus. Em 2010, uma pesquisa da UFRJ constatou que o vírus da Dengue pode ser um dos causadores (visto que 1-4% dos contaminados desenvolveram a síndrome).

Sinais e sintomas

  • Dor nos membros inferiores, seguida por fraqueza muscular progressiva de distribuição, geralmente simétrica e distal, que evolui para diminuição ou perda dos movimentos de maneira ascendente, com flacidez dos músculos;
  • Perda dos reflexos profundos de início distal, bilateral e simétrico a partir das primeiras horas ou dias;
  • Sintomas sensitivos: dor neurogênica, queimação e formigamento distal. 

Para compreendermos essa síndrome e os seus desafios, o faixa-preta Luiz Silva, considerado hoje um paratleta de Jiu-Jitsu, nos traz experiências da sua vida em relação a essa fatalidade, onde a superação e a esperança foram essenciais para a sua recuperação. Confira a entrevista abaixo:

MS: Quando começou a praticar Jiu-Jitsu? 

LS: Comecei a treinar com meus 13 anos. Eu trabalhava e estudava, tinha uma vida normal, quando de repente, aos meus 31 anos, eu acordei sem movimento no corpo, sem saber o que estava acontecendo. Fui levado rapidamente para o hospital Santo Antônio, em Blumenau (SC), e fizeram vários exames, onde fui diagnosticado como portador de Síndrome Guillain Barré, um tipo de paraparesia espástica.

MS: Depois que você foi diagnosticado, quais foram os tratamentos?

LS: Fui sozinho para Manaus, pois minha cidade não tinha tratamento para esse tipo de doença. Fiquei internado por 17 dias no total, fazendo um tratamento chamado plasmaférese, que poderia ter algum efeito positivo em meu organismo. Eu só pensava em como seria a minha vida depois disso.

MS: Você pode fazer um breve relato sobre os tratamentos?

LS: A Síndrome de Guillain Barré não tem cura, sendo necessário fazer tratamentos que aliviem os sintomas e impeçam o avanço da doença. Foram necessárias terapias complementares: ozonioterapia consiste num processo em que é administrado gás de ozônio no corpo para tratar alguns problemas de saúde, compostos por três átomos de oxigênio que tem importantes propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e antissépticas, além de ter um efeito de melhoria da oxigenação dos tecidos, assim como fortalecimento do sistema imune, e a fisioterapia (tratamento contínuo) como forma de recuperar a força muscular.

MS: Como foi retomar a prática do Jiu-Jitsu?

LS: Meu psicológico não estava bom. Achei que não iria mais treinar e muito menos competir. Foi quando um grande amigo insistiu para que eu voltasse como paratleta. No começo, foi muito difícil usar os braços e aos poucos, usando somente as mãos e não tendo o movimento do quadril, que é essencial para o Jiu-Jitsu. É muito complicado, porém com o tempo, fui me adaptando à minha nova realidade.

MS: Você teve apoio dos seus mestres durante esses anos?

LS: Sim, durante cinco anos morei em Manaus, fazendo tratamento e treinando na Academia de Artes Marciais Nova União Max Bill, e já estava competindo e ganhando alguns títulos. Quando resolvi tentar outro tipo de tratamento, em Minas Gerais, fiquei aproximadamente um ano, porém não obtive avanços. Logo em seguida, mudei-me para São Paulo para fazer o tratamento de ozonioterapia e durante dois anos treinei com o professor Ricardo Sales de Almeida e Roberto Barão, da Equipe Barão Jiu-Jitsu Jordanésia, e hoje sou faixa-preta graças a Deus e a cada um deles. Hoje moro em Blumenau e treino Jiu-Jitsu com o professor Diógenes Dias, da Sociedade Subtenente Sargentos – Equipe TJJ School Jiu-Jitsu. 

MS: Você reconhece que o Jiu-Jítsu te ajudou nessa nova jornada?

LS: Sim, mesmo usando muletas, se não fosse o Jiu-Jitsu, eu não estaria mais andando e, com certeza, sofrendo de depressão, além do preconceito que muitas pessoas têm em relação aos deficientes, mas isso são estímulos para que eu busque a cada dia me superar diante dos desafios. Hoje eu sou atleta da seleção paulista de Parajiu-Jitsu, federado a CBJJP a Sjsaj. No ano de 2019, fui Campeão Brasileiro de Parajiu-jitsu na classificação funcional lesão medular, Campeão Sulamericano da Challenger (SP), Campeão Sulamericano da Challenger (RJ). Agradeço minha esposa Elenici Fernandes da Silva, atleta da seleção Paulista de Parajiu-Jitsu e a todos os meus professores e mestres por acreditar em meu potencial. 

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Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva