* Recentemente, recebi o vídeo de uma luta, mas não sei em que campeonato ocorreu e nem quando aconteceu. Um lutador encaixou uma chave de braço, enquanto seu oponente resistia e tentava escapar da finalização. Para o meu espanto, inclusive voltei o vídeo várias vezes para ter certeza, realmente escutei o que eu não queria acreditar. Uma pessoa da arquibancada gritando: “Quebra o braço. Quebra logo”. 

Nos dias de hoje, com todo o movimento para que a nossa arte suave seja cada vez mais difundida, ensinada nas escolas e academias, você escutar isso é lamentável. Fico imaginando o que pensa essa pessoa sobre esporte, conduta, educação e respeito. E se essa frase fosse dirigida para o aluno dele ou seu filho?

Torcer, gritar palavras de incentivo é uma coisa bem diferente de pedir para que um lutador, de propósito, quebre o braço do seu oponente. Creio que esse tipo de pensamento já não deveria existir atualmente. É um tipo de conduta infeliz e desnecessária. Até porque, ao seu lado, tinham crianças assistindo. O que ele quer mostrar? Que é casca-grossa? Mau? Mas infelizmente, ainda em 2021, com a Covid-19 ceifando vidas numa proporção absurda mundo afora, ainda encontramos gente com essa mentalidade. 

Me fez lembrar uma vez que acompanhando um lutador meu em um campeonato, vi um pai gritando com o seu filho que havia acabado de lutar e perdeu. O garoto, que era menor de idade, só ouvia ofensas do pai. Mas depois do impacto inicial, fui até o pai que continuava ofendendo o filho e lhe disse: “Por que não compete na sua categoria e mostra para o seu filho como se faz?”. Competir é difícil para muitos, começando pela preocupação de bater o peso, se expor, porque ao lutar um campeonato, você se expõe. 

Como sempre digo, não acredito que alguém goste ou seja indiferente em perder uma luta. Correr um campeonato, lutar e, ao perder, ouvir certas coisas do seu próprio pai. Ninguém merece ter uma resposta dessa, principalmente uma criança. Essa visão tão errada deveria estar extinta do nosso esporte e qualquer outro. Nesses dias tão difíceis que vivemos, todos já deveriam ter uma consciência maior do valor de estar saudável, cuidar e proteger seu próprio corpo e do seu parceiro de treino ou oponente em campeonato. 

Quanto mais lutadores lesionados, menos parceiros de treino e menos adversários nos campeonatos. Mesmo em treinos dentro da academia, o lutador, a meu ver, deve ajustar a posição e dar a pressão certa para dar tempo do seu oponente bater, e o submetido à finalização deve ter a consciência e humildade em saber que não tem saída daquela posição e bater. Treinar mais, estudar as falhas e voltar mais afiado para a próxima.

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* Por Luiz Dias