Gugu Azevedo admite ser fã de Anthony Johnson, mas projeta revanche: ‘Quero devolver o nocaute’

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* No Bellator 258, Gugu Azevedo se viu diante de uma grande oportunidade. Perto da semana do evento, Yoel Romero acabou ficando de fora do confronto contra Anthony Johnson por ser reprovado nos exames médicos e, quem substituiu o cubano na sexta-feira (7) foi Gugu. O brasileiro aproveitou a chance e aceitou enfrentar o ex-UFC, mesmo com poucos dias para se preparar. O baiano acabou nocauteado no segundo round, mas fez uma luta dura contra o seu oponente. Por isso, ele acredita que essa história não acabou.

No primeiro round do combate pelo GP meio-pesado, Gugu acabou lesionando a mão, mas conseguiu aplicar um knockdown no americano e ficou perto de finalizar o confronto.  Como voltou para o segundo round visivelmente incomodado com a sua mão, acabou recebendo um duro golpe que o levou a nocaute. Mas em entrevista à TATAME, o atleta da Pitbull Brothers crê que se tivesse um camp completo e tempo para corte de peso, o resultado poderia ser diferente.

“Com certeza (aceitaria uma revanche). Seria praticamente todo sonho realizado, sou fã dele. Tenho o máximo de respeito, mas fazer um camp completo para enfrentá-lo seria ótimo. Tenho certeza que daria 110% para sair com a mão levantada e principalmente para devolver esse nocaute (risos). Foi o primeiro nocaute de minha carreira, quero descontar”, declarou.

Confira a entrevista exclusiva com Gugu Azevedo:

– Como recebeu o anuncio do combate

O meu empresário me mandou mensagem falando que o Romero tinha saído da luta e o Bellator estava atrás de alguém. Só de eu ter escutado isso, fiquei bastante empolgado. Perguntei para ele (empresário): ‘E aí, acha que tenho alguma chance de entrar nesse GP?’. O Bellator tinha deixado o Julio Anglickas na reserva. Mas me ofereci para lutar, o Joinha falou que a possibilidade era real. E no outro dia veio a confirmação, eu pulei com os braços pra cima só pela oportunidade de estar no GP. Lutar com um cara que eu sou fã, cresci assistindo às lutas dele, para mim foi maravilhoso.

– Lesão na mão e situação da recuperação

Começou a luta, ele chutou a minha panturrilha com muita força. É algo que sempre faço nas minhas lutas, dou a perna para o cara chutar e eu jogo um soco na cabeça. E eu tentei dar um ‘overhand’ nele, mas acabou só pegando o meu dedo mindinho e o outro dedo. Não pegou a mão em cheio e o dedo acabou ‘adormecendo’. Naquele momento que estou balançando e segurando a mão, na verdade, eu estava apertando para ver se voltava ao normal. Não voltou. Tentei arriscar mais um, mas vi que estava ruim. Cheguei até a ficar com raiva, porque ficou feio na luta. Tentei esconder a minha dor, mas não deu e fiz o que estava ao meu alcance. Tive só uma lesão no ligamento. O médico pediu para eu passar um mês sem dar nenhum soco, repouso total com a mão. Não posso levantar nenhum peso com a mão ou fazer algo que cause dor para ela ficar boa mesmo. Depois desse mês, já posso voltar a treinar. Vou dar esse descanso da forma que tem que ser para eu voltar o mais possível.

– Estratégia para a luta com Johnson

Minha estratégia era decidir a luta, pegar ele. O jogo do Anthony Johnson não é surpresa para ninguém, ele vem pra nocautear o oponente. Ele é muito forte. Em algum momento da luta eu esperava realmente que ele se abrisse para me atacar e eu pudesse tirar proveito disso. Foi quando eu consegui encaixar aquele cruzado de esquerda que ele balançou. Porém, ele é muito forte, nunca lutei com um cara tão forte quanto ele. Ele bate doído. Todos os golpes que ele me jogou, machucaram e eu tentei achar uma brecha, mas foi muito difícil porque ele é muito forte. Fiz o que dava, tentei fingir o máximo que não estava me machucando. Com certeza (a lesão atrapalhou). Pensei em fechar um mata-leão mesmo, botar a mão por trás da cabeça dele. Mas por causa da dor e se ele defendesse, iria puxar para a minha mão e ia machucar ainda mais. Tentei o ‘esgana galo’, apertei o que deu, mas não tinha tanta pressão. Tanto que caí fácil das costas dele. Mas é isso, totalmente mérito dele. A vitória escapou pelos meus dedos.

 

– Sensação de quase nocautear o americano

No momento eu pensei muitas coisas, porque até quando estava me defendendo dos socos dele, doía a minha mão. Estava machucando mais a minha mão do que o meu corpo. Levei vários golpes limpos e eu não senti que ia ser nocauteado até o golpe que eu apaguei. Mas a mão estava doendo pra cacete. Então, naquele momento que ele balançou eu não estava batendo com a minha mão boa, não tenho tanta mira e habilidade com a esquerda, como eu tenho com a direita. Tentei ir para um mata-leão, faltou um pouco de experiência e habilidade para pôr os ganchos, sei lá. Esse tempo de nocaute, eu acho que não tem como ensinar, só se aprende lutando. Pode ter certeza que nas próximas lutas, vou terminar porque vou estar mais experiente. Eu acho que estava pronto pra qualquer coisa nessa luta, se ele me desse um golpe e eu sentisse era só recuperar, mas machucar a mão… Terminar vencendo o round e voltar só com uma mão, isso me desarmou totalmente. Não esperava por isso. Me apressei para achar outro cruzado daquele (que o balançou) e fui um pouco mais inconsequente, recebi o golpe e ele acabou me nocauteando. Sem a mão direita, eu fiz o que pude e ele acabou com um belo nocaute.

– Mais tempo de preparação e próximo passo

Acredito que sim. Tenho armas necessárias para fazer ‘bastante raiva’ nessa divisão. Eu quero ser campeão, tenho condições disso. Só preciso do tempo para treinar e me preparar para cada adversário. Tenho certeza que vou longe nessa categoria. Tem muita luta boa que casa com o meu jogo. Só tenho essa meta de ser campeão, já alcancei outras e agora vou dedicar minha energia toda para ter esse título. Primeiro quero recuperar a 100% a minha mão. Depois quero voltar a lutar em setembro, na verdade, quero fazer mais duas lutas esse ano. Quero enfrentar o Julio Anglickas, ele é o quinto do ranking dos meio-pesados. Com a vitória do Johnson, ele deve cair algumas posições. Mas ele é um cara que está ranqueado, mas casa com o meu jogo também. Gostaria de vencê-lo e me manter sempre ativo para quando o GP terminar eu estar cotado a lutar pelo cinturão. Tudo o que eu fizer vai ser em prol de eu conseguir isso.

– Encontro com Johnson depois da luta

Conversei pouco com ele. Estava com o Matheus no telefone, eu não falo inglês, pedi para ele traduzir. Ele me elogiou, riu, bateu em meu braço falando ‘que esquerda’ ou algo assim. Elogiei de volta. Pedi para o Matheus traduzir que foi uma honra, estou torcendo para ele no GP. Espero que ele vença, sou fã dele. Espero vê-lo ativo, tem capacidade de fazer ótimas lutas.

* Por João Cavalcanti

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