* Jovem, promissor e com sonhos a serem alcançados. É dessa forma que Allan Begosso, de 25 anos, vem trilhando sua carreira no MMA. Invicto na modalidade, com seis vitórias e um empate, o brasileiro vem fazendo bonito pelo LFA e já soma duas vitórias consecutivas no evento americano, a mais recente delas na última sexta-feira (14), quando finalizou Samarbek Sabyrzhan ainda no primeiro round, com uma guilhotina. Em entrevista à TATAME, o atleta deu mais detalhes sobre o importante triunfo e destacou o bom trabalho feito pela organização, que é porta de entrada para muitos lutadores chegarem ao UFC.

“Eu gostei bastante do meu desempenho, estava me sentindo muito bem na luta e o LFA é um evento que gosto muito de lutar, eles dão uma atenção incrível ao atleta, oferecem uma estrutura muito boa. Eu estava bem confiante e confortável. Ele (Sabyrzhan) me colocou em algumas posições desconfortáveis, mas ainda assim eu consegui reverter. Não saiu como eu planejava (a vitória), porque eu pensava em nocautear, mudou o adversário de última hora, mas no geral saiu como o esperado, sim, porque queríamos sair com a vitória (risos). Mas eu achava que a luta iria ocorrer de outra forma, em nenhum momento pensei que fosse finalizá-lo, porque era um cara do Jiu-Jitsu, mas eu treino muito forte na academia e eu estava pronto para qualquer coisa”, destacou.

Natural de São Paulo e profissional do MMA desde 2014, Allan não esconde que sua principal meta é chegar no UFC. Foi em busca desse sonho que o atleta deixou o Brasil há dois anos e, atualmente, mora nos Estados Unidos, onde treina na Team Alpha Male, comandada por Urijah Faber e considerada uma das principais equipes da atualidade nas artes marciais.

Recentemente, o lutador fez parte de uma espécie de “seletiva” para entrar na 29ª temporada do TUF (The Ultimate Fighter), reality show organizado pelo UFC que já foi considerado o principal produto midiático da organização e está retornando este ano, tendo como treinadores o campeão peso-pena Alexander Volkanovski e o número 2 da divisão, Brian Ortega, que vão comandar atletas das categorias peso-galo e peso-médio. No final das contas, Allan Begosso não foi escalado para integrar o programa, mas destacou a experiência vivida.

“Quase participei do TUF, cheguei para a seleção final e cheguei a ir para Las Vegas. Eu tinha muita confiança de que ia entrar, mas infelizmente não deu e não sei por qual motivo. Mas toda a experiência foi muito boa, nunca havia passado por algo parecido. Fui para lá e eles pagaram tudo o que eu precisava, foi uma assistência incrível por parte do UFC. Pude ver como é o tratamento lá dentro e, estando lá, vi porque todo lutador sonha em estar no UFC, são tratamentos e cuidados diferenciados. Foi uma experiência bem marcante e me sinto pronto para chegar ao UFC. Não sei como eu vou chegar lá e nem quando, mas eu vou chegar (risos)”.

Ao longo do bate-papo, o paulista falou sobre o atual momento de sua carreira no MMA, contou mais detalhes sobre o seu sonho de chegar ao UFC, a rotina na Team Alpha Male e a relação de amizade com Cody Garbrandt, ex-campeão peso-galo do UFC, que entra em ação na luta principal do UFC Vegas 27, no próximo sábado (22), em Las Vegas (EUA), diante de Rob Font.

Veja outros trechos da entrevista com Allan Begosso:

– Atual momento da carreira e sonho de chegar ao UFC

Acho que estou vivendo a melhor fase da minha carreira, para ser bem sincero. Venho de duas vitórias num evento grande aqui nos EUA, um evento incrível. Ficaria muito feliz de ter a oportunidade de disputar o cinturão do LFA, mas o meu foco sempre vai ser o UFC. Eu me mudei para os EUA para ter essa oportunidade, não importa o que eu tenha que fazer, quantas lutas eu faça para chegar no UFC e ser campeão. Se tiver que lutar no LFA de novo, vou lutar, vou tentar buscar o título de lá. Mas se surgir uma oportunidade no UFC, sinto que estou pronto também. Venho treinando forte com todos da Team Alpha Male, só tem cara duro aqui, de diversos eventos espalhados pelo mundo. Eu já treino com esses caras em alto nível e não escondo que meu foco é o UFC, estou querendo dar esse passo a mais na carreira, mas se tiver que lutar pelo título do LFA, estarei pronto. Fico muito feliz também pelo meu cartel continuar invicto e farei de tudo para manter assim por muito tempo ainda.

Desde que me profissionalizei no MMA, as coisas sempre aconteceram em etapas na minha vida. Quando comecei no MMA, sonhava em simplesmente ver alguém que lutava no UFC. Depois que passei a ver, conheci alguns, queria treinar com esses atletas do UFC (risos). Comecei a treinar com esses caras e hoje é muito gratificante poder dividir sonhos com eles e ajudá-los em suas lutas. É um sonho lutar no UFC, quero essa chance, porque é uma oportunidade para mudar minha vida e da minha família.

– Chegada na Team Alpha Male, rotina na equipe e união com brasileiros

A Team Alpha Male sempre teve um aproveitamento muito grande dentro do MMA. Desde que comecei a treinar, já era uma equipe enorme, de muitos talentos, e hoje continua sendo uma das maiores equipes do mundo. Esse foi um dos motivos que me levou a vir para cá. Eu tinha a opção de ir para outras academias, mas eu parei para ver qual era a melhor opção para a minha categoria. Eu sempre fui muito fã do Urijah Faber, do Cody Garbrandt, do Chad Mendes, então eu vi que precisava ir pra lá. Eu não conhecia o Faber, no início foi até difícil, porque eu não falava inglês, mas ele sempre esteve disposto a me ajudar. Ele ajudou com o visto para eu ficar aqui e acreditou em mim. Eu fiz uma carta para ele, explicando o que eu queria, falando que eu queria entrar no UFC e que eu deixei tudo para trás no Brasil para ir em busca disso. Hoje temos uma ótima relação e ele me ajuda muito nos treinos. A vinda dos atletas brasileiros pra cá foi a melhor coisa para mim. Cada vez mais me sinto em casa. A gente se ajuda, cada um com sua luta, e fico muito feliz com a presença do Raulian Paiva e do Ricardo Carcacinha aqui, estamos muito unidos e é uma energia incrível.

– Relação com o ex-campeão peso-galo Cody Garbrandt

Eu era muito fã do Cody Garbrandt e fiquei ainda mais fã, porque quando conheci ele pessoalmente, fiquei impressionado com a humildade dele. Já achava um grande lutador e quando vi ele treinando, percebi que não era à toa que ele foi campeão mundial. É um atleta rápido, explosivo, muito técnico e ele não perdeu isso, muito pelo contrário, ele mostrou isso na última luta e tem totais condições de recuperar o cinturão. Ele me ensina muitas coisas, me passa muita experiência e temos feito muitos treinos, muitos sparrings, compartilhamos muitas técnicas. O Cody vem me ajudando a evoluir de forma constante e nossa relação é muito amigável, o tenho como um amigo pessoal mesmo. Ele está pronto para essa luta de sábado (contra o Rob Font, no UFC Vegas) e vou estar na torcida.

* Por Mateus Machado