* Em algumas academias de artes marciais, temos visto trabalhos relevantes e dignos de aplausos em relação às crianças com necessidades especiais. O número é insignificante diante da complexidade do assunto, mas não podemos deixar de elogiar alguns mestres e professores que já iniciaram esse trabalho magnífico, recebendo essas crianças. O professor deve olhar a criança, e não a síndrome, e construir um vínculo com o aluno e sua família para facilitar o processo de mediação dos treinos.

NOTA: NÃO ACABOU A PANDEMIA! Sabemos que estamos em um período de incertezas e temos um inimigo invisível assolando nossas vidas, inimigo chamado COVID-19. Nunca é demais lembrar que devemos permanecer em casa, lavar as mãos com sabão, usar álcool em gel, evitar aglomerações, manter os ambientes ventilados, não compartilhar objetos pessoais e, por favor, cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir.

Uma academia de artes marciais consegue organizar um treino inclusivo quando reconhece a complexidade das relações humanas (mestre-aluno), a amplitude e os limites de seus objetivos e ações; quando entende o ambiente como um espaço relacional que estabelece laços saudáveis, proporcionando o aprendizado. 

Devemos entender que essas crianças com necessidades especiais têm o direito de praticar atividades físicas conforme suas capacidades, sempre acompanhadas de um laudo médico para que o professor entenda suas dificuldades e faça as adaptações necessárias.

DICA DE LEITURA: Para que possamos entender a inclusão de crianças com necessidades especiais, devemos ler os principais documentos legais e normativos oficiais da legislação brasileira, que vêm favorecendo modificação para a prática inclusiva mais eficiente.

  • Lei Federal n° 7.853, de 24 de outubro de 1989 – dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.
  • Lei n°9.393, de 20 de dezembro de 1996 – institui a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
  • Decreto Federal n° 3.298, de 20 de dezembro de 1999 – institui a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.
  • Lei n° 10.172, de 09 de janeiro de 2001 – aprova o Plano Nacional de Educação.
  • Resolução CNE n° 02, de 11 de setembro de 2001 – institui as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.

Conforme no Art°10 das Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica:

Art° 10. Os alunos que apresentem necessidades especiais e requeiram atenção individualizada nas atividades da vida autônoma e social, recursos, ajudas e apoios intensos e contínuos, bem como adaptações curriculares tão significativas que a escola comum não consiga prover, podem ser atendidos, em caráter extraordinários, em escolas especiais, públicas ou privadas, atendimento esse complementados, sempre que necessário e de maneira articulada, por serviços das áreas de Saúde, Trabalho e Assistência Social. 

As academias de artes marciais que atendem crianças e adolescentes têm, por obrigação, pesquisar novos conhecimentos para atender esse público. Em algum momento irão bater em sua porta, pois eles existem e necessitam de acolhimento.

No entanto, precisamos salientar que muitos professores, não somente os das artes marciais, dizem estar despreparados para atender crianças com necessidades especiais. Muitos fatores poderiam justificar esse fato, um dos principais são os sentimentos do professor que embasam suas concepções diante da criança com necessidades especiais.

Os sentimentos estão na base de todos os relacionamentos. Quando os pais ficam sabendo que têm um filho especial, passam por sentimentos muito fortes e bastante característicos. Num primeiro momento, vem o choque, pois é na maioria das vezes uma notícia inesperada. Ninguém imagina ou deseja ter um filho com alguma necessidade especial. Depois, vem uma fase de descrença, de negação, pensando que isso pode não ser verdade. Logo percebem a realidade e sentem culpa, às vezes raiva, medo, angústia e preconceito, e enfrentam um processo de luto pelo filho, do desejo que não veio. Esses sentimentos são perfeitamente normais e aceitáveis diante de uma situação dessa magnitude. (Minetto, pag. 38). 

No entanto, precisamos salientar que esses sentimentos não são exclusivos dos pais, mas de todas as pessoas diante da adversidade. Os professores também passam por sentimentos confusos, às vezes pelas mesmas fases quando recebem uma criança ou adolescente com necessidades especiais, podendo também resistir, negar, paralisar, de acordo com sua disponibilidade pessoal. É no ambiente escolar e nas academias de artes marciais que os desafios de lidar com a diversidade ficam evidenciados.

Ao mesmo tempo em que os pais devem colaborar e seu filho deve se esforçar, a academia de artes marciais deve se organizar e se estruturar para oferecer condições reais de treinos e não só de socialização. Sabemos que na teoria isso parece óbvio, no entanto, sua prática será difícil se não houver um entendimento das implicações que repercutirão nos treinos. 

Há muitos professores e mestres de artes marciais dispostos a enfrentar as diversidades em suas turmas, mas é comum que não saibam por onde começar. Assim, deve passar por questionamentos profundos sempre que os resultados obtidos mediante a sua prática deixem de atender ao objetivo desejado. As mudanças que ocorrem na sociedade devem fazer com que a academia de artes marciais reveja o posicionamento de todos envolvidos no processo de aprendizado através dos treinos. No entanto, isso só é possível se houver comprometimento de todos os envolvidos.

A autonomia que o professor passou a ter com a flexibilização das suas aulas não deve nunca acabar em um trabalho isolado. Ter autonomia implica responsabilidade e comprometimento, sem perder a relação com os objetivos da academia. Atender às necessidades individuais não significa mudar tudo, porque, se pensarmos, todos temos dificuldades específicas e, em alguma época de nossas vidas, podemos ter necessidades especiais mais significativas. Todas as adaptações precisam ser entendidas como necessárias pela equipe e, a partir da posição dessa equipe, é que se decide o que pode e deve ser feito.

A estabilidade é algo que buscamos frequentemente, pois ela nos dá segurança. Quanto mais conhecemos determinado assunto, mais nos sentimos seguros diante dele. O novo gera insegurança e instabilidade, exigindo reorganização e mudança, porém, nos enriquece. Espero ter contribuído para os seus conhecimentos. 

Referências 

  • Minetto, Maria de Fátima – Currículo na Educação Inclusiva: entendendo esse desafio/ Maria de Fátima Minetto – 2° Edição. Atual. Ampl. – Curitiba: Ibpex, 2008.  

Sites Recomendáveis 

CEB0201.doc (mec.gov.br)

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva