* São quase 20 anos de carreira no MMA, sendo 14 deles no Ultimate. Atualmente com 43 anos, Demian Maia sabe que está em reta final de carreira e, embora evite falar com certeza, seu último ato no octógono pode acontecer neste sábado (12), no card do UFC 263, no Arizona (EUA), contra Belal Muhammad. O confronto será o último do seu atual contrato com a organização e, caso não receba da companhia uma chance de fazer uma “luta de despedida”, o combate pode marcar o fim de uma longa e vitoriosa trajetória nas artes marciais mistas.

“Eu acredito que essa luta de sábado pode ser minha última no MMA, não só por eles (UFC), mas por mim também. Vai depender muito da minha performance para eu querer continuar, e obviamente, se eles quiserem, eu tenho vontade de fazer uma última luta, uma luta de despedida, mas pode ser que o duelo de sábado seja o último da minha carreira, sim”, revelou Demian, em entrevista à TATAME, afirmando na sequência que a aposentadoria está em pauta desde o ano passado.

“Essa possibilidade de encerrar a carreira já é antiga, eu queria ter feito isso em 2020, fazer essa última luta do contrato com o UFC, e eventualmente, uma luta de despedida. Estou há 14 anos no UFC, então fechando meu contrato, o que vai acontecer neste sábado, então considero que faz mais sentido, encerrando meu contrato com o UFC, também encerrar minha carreira no MMA. Eventualmente, quero fazer uma luta de Jiu-Jitsu no Spyder Korea (evento de lutas casadas no Jiu-Jitsu), mas no MMA, encerrando meu contrato com o UFC e não tendo interesse de nenhuma das partes, considero que, de fato, será o fim”, salientou o casca-grossa.

Neste sábado, Demian Maia vai para a sua 33ª luta no UFC e, em caso de vitória contra Belal Muhammad, vai igualar o recorde de Donald Cerrone como atleta com mais triunfos na história da franquia, com 23. Caso tenha a chance de ultrapassar o “Cowboy” em uma possível luta de despedida no Ultimate, o brasileiro afirma que já tem um adversário em mente, mas prefere não revelar por enquanto.

“Eu tenho um adversário em mente, mas só vou comentar isso depois da luta de sábado, porque não dá para perder o foco do que eu tenho para fazer no sábado, que é um teste duro. Qualquer Top 15 do UFC é um cara muito casca-grossa, então deixa eu fazer meu trabalho, dar tudo certo, e depois eu falo qual vai ser minha vontade (risos)”.

Ao longo do bate-papo, Demian falou sobre a preparação para o duelo contra Muhammad, que marca seu retorno ao octógono desde sua última apresentação, que aconteceu em março do ano passado, quando foi derrotado por Gilbert Durinho. Além disso, o faixa-preta de Jiu-Jitsu revelou que tem planos de voltar a competir na arte suave, mas deixou claro que só pretende fazer isso com o fim de sua carreira no MMA.

Confira outros trechos da entrevista com Demian Maia:

– Preparação para duelo contra Belal Muhammad

Basicamente o que mudou (em relação à luta contra Gilbert Durinho) foi que a gente sempre, no pré-camp, umas 10 semanas antes do começo do camp, a gente sempre ficava nos Estados Unidos por umas duas semanas, fazendo uma base de Wrestling, e depois trazíamos isso para o final do nosso camp, nas últimas sete semanas. Para essa luta, não conseguimos fazer isso, porque quem vem para os EUA, tem que fazer uma quarentena, então ficaria inviável. Então trouxe um dos meus treinadores dos EUA para o Brasil. Ele ficou um mês me ajudando nos treinos, só que antes da luta ser anunciada. Como eu imaginei que poderia estar perto de ter uma luta anunciada, eu trouxe ele, paguei a passagem e ele veio. Foi bom para nós dois, porque foi numa época em que as coisas estavam fechadas em São Paulo, então às vezes fazíamos treinos até na minha casa mesmo. Depois, ele voltou para os EUA, mas foi só para resolver algumas coisas, então ele esteve conosco nesse último mês de camp também.

– Análise do adversário deste sábado

Sempre fazemos uma preparação específica para cada atleta, dessa vez não foi diferente. A gente pega, assiste as lutas, minha equipe e eu, e destacamos algumas coisas importantes para se treinar, mas não tem nada de muito diferente do que sempre fazemos nas preparações. Eu acho que ele vai começar buscando mais a trocação, acredito que esse é o ponto forte dele sobre mim, mas acho que ele não vai ter medo se tiver que clinchar, ele confia no Wrestling, é outro ponto forte dele e vi que ele já ganhou muitas lutas colocando para baixo e fazendo o ground and pound. É um atleta agressivo, que gosta de atacar bastante durante a luta. Tem tudo para ser uma ótima luta.

– Você falou que pretende voltar a competir no Jiu-Jitsu. Quais são os eventos que pretende disputar na arte suave?

Conheço todos esses eventos, o BJJ Stars e o BJJBET, conheço todos os organizadores. O Fepa Lopes (organizador do BJJ Stars) é um amigo de vários anos. A primeira vez que eu lutei em um evento profissional de Jiu-Jitsu foi o Desafio Black Belt 1, que foi o primeiro evento que o Fepa fez na vida profissional e eu pude lutar. Tem muita coisa legal acontecendo no Brasil em relação ao Jiu-Jitsu e já tive convite de todas essas organizações, tanto do Brasil quanto fora. Mas quando você está dentro de um evento, e quando é o maior evento de lutas no mundo, fica muito difícil conseguir focar e mudar seu treino, porque quando você vai competir Jiu-Jitsu, é outro tipo de treino e preparação. E eu não tenho esse ‘luxo’ de separar tempo, porque o UFC pode marcar uma luta muito mais importante para mim, e eu teria que mudar tudo de novo. Eu levo muito a sério o jeito que vou entrar, como vai ser minha performance, então não entro só pelo dinheiro e para curtir, quero entrar estando bem treinado e pronto para aquilo especificamente. Mas, com certeza, os fãs de Jiu-Jitsu podem me esperar competindo na arte suave novamente num futuro próximo.

– Caso a luta de sábado seja, realmente, a sua última no MMA, o que você leva ao longo de sua trajetória no MMA e no UFC?

Em primeiro lugar, levo muitas experiências e aprendizados, que de alguma maneira, quero passar para as pessoas, seja para os meus alunos da academia, através de um livro, de palestras. Levo também memórias muito boas e, principalmente, feliz por ter mantido meus princípios em tempos onde muita gente falava: você tem várias vitórias seguidas e não te dão a disputa de título, você tem que ser assim, tem que ser de tal jeito. Eu não entrei nessa onda e me mantive fiel aos princípios que acredito, isso é muito importante para mim. Se eu olhasse para trás e observasse que me vendi por um meio, eu não olharia para mim como homem como eu me olho hoje em dia. Tenho orgulho de tudo que passei, de tudo que vivi, e foi muito bom. Ainda é (risos).

CARD COMPLETO:

UFC 263
Glendale, no Arizona (EUA)
Sábado, 12 de junho de 2021

Card principal (23h, horário de Brasília)
Peso-médio: Israel Adesanya x Marvin Vettori
Peso-mosca: Deiveson Figueiredo x Brandon Moreno
Peso-meio-médio: Leon Edwards x Nate Diaz
Peso-meio-médio: Demian Maia x Belal Muhammad
Peso-meio-pesado: Paul Craig x Jamahal Hill

Card preliminar (19h15, horário de Brasília)
Peso-leve: Drew Dober x Brad Riddell
Peso-meio-pesado: Eryk Anders x Darren Stewart
Peso-mosca: Lauren Murphy x Joanne Calderwood
Peso-pena: Movsar Evloev x Hakeem Dawodu
Peso-galo: Pannie Kianzad x Alexis Davis
Peso-leve: Matt Frevola x Terrance McKinney
Peso-pena: Chase Hooper x Steven Peterson
Peso-leve: Fares Ziam x Luigi Vendramini
Peso-pesado: Carlos Boi x Jake Collier

* Por Mateus Machado