Raphael Barbosa é um dos professores mais renomados de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. São mais de 25 anos de experiência divididos entre aulas, seminários e competições. Faixa-preta desde 2007, quando foi graduado pelo seu professor, Luís Cláudio, o estudioso Raphael ensina Jiu-Jitsu na academia do Ultimate Fight Champion, a UFC Gym, que conta com mais de 400 alunos somente nas aulas de quimono.

Dono de uma metodologia única, repleta de passos para preparar um bom aluno em sua jornada até a faixa preta, Raphael conta que o seu ensino é de linhagem Gracie, por conta do seu professor ser formado pelo lendário Rickson Gracie. Na terra dos árabes, os alunos têm tido cada vez mais resultados expressivos dentro e fora do tatame, pois ele também usa o esporte como forma de desenvolvimento pessoal.

“O Jiu-Jitsu é um esporte único. Ele proporciona muitas coisas além de golpes e movimentações. Dentro do tatame, você aprende a ser uma pessoa melhor, uma pessoa mais paciente. Você fica mais confiante, acredita mais em si próprio e isso reflete na sua vida. É perceptível notar isso nos faixas-branca, pois eles chegam sem confiança e com medo, mas ao passar do tempo, eles ficam confiantes. Eu gosto muito do Jiu-Jitsu por conta disso. Não importa o quanto de conhecimento você tenha, o esporte sempre vai te ensinar algo a mais. É uma das ferramentas de desenvolvimento pessoal mais fortes do mundo”, ensinou Raphael.

Aos 39 anos, sendo 14 como faixa-preta, Raphael decidiu compartilhar conceitos que, na sua visão, são importantes para a evolução do praticante, independente de qual seja a cor da faixa, idade ou sexo.

Confira abaixo:

1- Não pular o processo: “O praticante precisa respeitar o processo. Sabemos que o Jiu-Jitsu é um esporte muito complexo e demanda coordenação motora, explora todas as valências físicas do aluno. Por essa complexidade de movimentos, principalmente na hora de colocar em prática, muitos alunos se frustram e fica sempre aquela pergunta: ‘poxa, professor! Quando é que eu vou conseguir fazer todos esses movimentos automaticamente?’ Eu vejo que isso é uma coisa constante nas aulas dos iniciantes. Já dentro desse conceito, aqui na UFC Gym eu coloco as aulas de iniciantes separadas dos demais, onde eu passo todo o ‘bêabá’ para eles. Eles fazem drill várias vezes e até o segundo grau, não deixo eles nem rolarem soltos. Primeiro, eles vão aprender como funciona todo o processo de uma técnica bem feita”.

2- Estudar Jiu-Jitsu: “É preciso estudar como foi criado o Jiu-Jitsu, saber a história da família Gracie. Entenda como funciona o sistema de graduação, as pontuações, como funciona tudo que envolve o esporte, para saber o que você está fazendo, o básico. O faixa-branca tem que saber essas coisas para não ficar perdido”.

3- Treinar defesa pessoal: “O Jiu-Jitsu foi criado para isso, para o menor conseguir se defender do maior. Então nunca deixe a defesa pessoal de lado, a gente nunca sabe quando vai precisar usar. O faixa-branca, geralmente, acaba buscando aprender na internet o Jiu-Jitsu avançado, ao invés de aprender o que realmente precisa, e na verdade acaba atrasando o processo de evolução”.

4- Praticar quedas: “O Jiu-Jitsu começa em pé e muitas academias pecam nisso. Vejo muitos treinos só no chão ou de joelho, certas vezes. A parte de queda é primordial para o aluno aprender. Treine com progressão”.

5- Escutar o seu corpo: “Respeitar o limite do corpo é essencial. Às vezes, o faixa-branca, naquela busca para evoluir ou provar algo para si, para o professor e parceiros de treino, acaba não batendo no armlock, não bate no estrangulamento… Aí acabam dormindo ou estalando braços, causando uma lesão. Isso não existe, é uma tolice. Se o aluno realmente ama Jiu-Jitsu, ele vai querer fazer para o resto da vida, mas dessa maneira ele vai estar encurtando a jornada. Pense nisso”.