* Profissional no MMA desde 2010 e atualmente com um cartel de 19 vitórias e seis derrotas, Bruno Blindado está prestes a realizar o seu grande sonho desde que passou a competir na modalidade. No próximo sábado (19), o brasileiro vai fazer sua estreia no Ultimate em duelo diante do compatriota Wellington Turman no card do UFC Vegas 29, que vai acontecer em Las Vegas, nos Estados Unidos. Atualmente com 31 anos, o atleta da Paraíba chega à maior organização de MMA do mundo disposto a fazer história mais uma vez.

Sem lutar desde 2018, o casca-grossa superou os problemas envolvendo a USADA (Agência Antidoping dos EUA) e está pronto para repetir no UFC o feito que conseguiu atingir na Rússia, onde acumulou uma sequência de três vitórias e se tornou campeão peso-médio do evento M-1 Global. Em entrevista à TATAME, Bruno relembrou com alegria sua trajetória no país, conhecido por formar grandes talentos no MMA ao longo dos últimos anos.

“Na Rússia eu tenho uma história muito bonita. Tirei a fama que o brasileiro só vai pra lá para apanhar. Me mandaram para a Rússia para perder, mas eles não sabiam que quem estava indo era o cavalo de tróia (risos). Me consagrei como o primeiro brasileiro campeão do evento M-1 Global e o único a vencer três russos por nocaute em apenas um ano. Lá na Rússia eu sou amado e odiado (risos)”, destacou o atleta.

Ao longo do bate-papo Bruno Blindado falou sobre a expectativa para a tão esperada estreia no UFC, fez uma breve análise sobre o combate diante de Wellington Turman e projetou o que espera dentro da organização.

Confira a entrevista na íntegra: 

– Expectativa para a estreia no UFC e preparação para duelo contra Turman

São 11 anos trabalhando para esse momento, sendo sete anos na porta do UFC, e enfim, vou fazer minha tão sonhada estreia. Minha cidade no sertão da Paraíba está muito feliz também por esse momento da minha carreira no MMA. Minha preparação não mudou muita coisa, até porque não sou um lutador que faz camp, considero que sou atleta de alto rendimento e treino o ano todo, independente se tem luta ou não. Só fiz alguns ajustes de acordo com o adversário e vamos lá fazer uma grande luta.

– Suspensão da USADA e fato de não lutar desde 2018 

Como muita gente sabe, tive problemas com a USADA (Agência Antidoping dos EUA). Não sou o primeiro e nem o último a sofrer com isso. Gastei muito dinheiro para provar minha inocência, gastei porque eu não tinha feito nada. Se eu assumisse, minha suspensão seria curta, mas assumir uma coisa que eu não fiz? Jamais. Nunca faria isso para benefício próprio. O mundo pode criticar, mas dormir com a consciência tranquila não tem preço, então, no final das contas, peguei dois anos de suspensão e aqui estou de volta. Eu sempre volto, essa é minha maior arma. Minha meta é fazer duas lutas esse ano, e quem sabe até três. Para mim é tudo ou nada, gosto de me arriscar e me testar.

–  Fato de enfrentar um brasileiro na estreia no UFC e expectativa para o duelo

Eu preferia um gringo para aumentar minha experiência e cartel internacional, mas sou funcionário e tenho que lutar com qualquer um. O Wellington Turman já me desafiou em 2017, no Submission. Acho que ele pensava que eu era da trocação e que não treinava chão, mas venci ele. Sou atleta de MMA e estou pronto para lutar em todas as áreas. Se ele quiser chão, estou pronto, e se ele quiser trocar porrada, melhor ainda. Mas deixo claro que não luto para pontuar, comigo é matar ou morrer, São 16 nocautes na carreira e vou fazer de tudo pra buscar o 17º.

– Trajetória vitoriosa na Rússia e título no evento M-1 Global

Na Rússia eu tenho uma história muito bonita. Tirei a fama que o brasileiro só vai pra lá para apanhar. Me mandaram para a Rússia para perder, mas eles não sabiam que quem estava indo era o cavalo de tróia (risos). Usei isso ao meu favor e minha primeira luta foi no RCC, com um nocaute no primeiro round. Logo em seguida eu tive pela frente o Alexander Shlemenko, uma lenda do MMA russo, com um cartel de 60 vitórias e 13 derrotas, mas nocauteei ele no primeiro round. Na sequência, me mandaram o Artem Frolov, uma promessa da Rússia, que até então era campeão e invicto. Fizemos uma grande batalha, mas no quarto round eu consegui o nocaute e me consagrei como o primeiro brasileiro campeão do evento M-1 Global, o único a vencer três russos por nocaute em apenas um ano. Lá na Rússia eu sou amado e odiado (risos).

– Por fim, quais são os seus planos dentro do UFC?

No UFC eu pretendo lutar muito, quero acabar logo com meu primeiro contrato e renovar logo. Quero fazer lutas épicas e enfrentar os melhores. Tenho 16 nocautes na minha carreira e pretendo encerrar minha carreira com pelo menos 25 nocautes. O cinturão será consequência do meu trabalho e dos resultados que eu conquistar, mas esperem um Bruno que sempre vai pra briga e que busca o nocaute em todos os rounds. Estou ansioso para ver minha nova versão.

CARD COMPLETO:

UFC Vegas 29
UFC Apex, em Las Vegas (EUA)
Sábado, 19 de junho de 2021

Card principal (20h, horário de Brasília)
Peso-pena: Chan Sung Jung x Dan Ige
Peso-pesado: Alexey Oleynik x Sergey Spivak
Peso-galo: Marlon Vera x Davey Grant
Peso-pena: Julian Erosa x Seung Woo Choi
Peso-médio: Wellington Turman x Bruno Blindado
Peso-meio-médio: Matt Brown x Dhiego Lima

Card preliminar (17h, horário de Brasília)
Peso-meio-pesado: Aleksa Camur x Nicolae Negumereanu
Peso-palha: Kanako Murata x Virna Jandiroba
Peso-meio-médio: Khaos Williams x Matthew Semelsberger
Peso-pesado: Josh Parisian x Roque Martinez
Peso-leve: Netto BJJ x Rick Glenn
Peso-mosca: Casey O’Neill x Lara Procópio

* Por Mateus Machado