Artigo: a importância do professor proporcionar um espaço seguro para as crianças

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* Ao ingressar nas academias de artes marciais, a criança passa a experimentar um mundo desconhecido. Este espaço não é a escola e nem a sua casa, pois ela irá vivenciar experiências novas e diferentes com outras crianças em um ambiente adaptado, onde ela não está acostumada, usando quimono (roupa diferente para muitos), podendo ficar descalço em um piso de borracha colorido (tatame) e com o tempo buscando compreender a importância das faixas e suas cores. 

Disponibilizando todos esses estímulos novos, com objetivos diferenciados e, ao mesmo tempo, travará contato com uma nova figura de autoridade, o “mestre”, é ele quem a orientará e a iniciará nos treinos, trabalhando com diversas atividades físicas e estimulando o desenvolvimento de novas habilidades psicomotoras, sobretudo o desafio da obediência a novas regras comportamentais, que exigirão um modelo de disciplina nem sempre praticadas no seio familiar e na escola.

Este será um dos primeiros desafios da criança: adequar-se aos limites que lhe serão impostos e, por outro lado, viver uma série de treinos e orientações dadas pelo professor. É nesse momento que o mestre precisa ficar atento em relação a seu aluno, proporcionando amparo e segurança física e emocional, para que o mesmo não tenha dificuldades, já que o espaço conhecido do lar e da escola é substituído pelo tatame, onde novos hábitos serão desenvolvidos para trilhar as novas experiências.

A atenção do professor deverá se redobrar enquanto elabora os objetivos a serem conquistados nos treinos, ajustando-os ao nível de maturação neurológica apresentada por cada criança, utilizando para tal a observação dos resultados por eles atingidos. Desse ponto em diante, os avanços dos treinos, assim como os das dificuldades, deverão ser registrados.

É um período em que a criança começa a sentir-se cobrada quanto ao seu rendimento e passará a entender que, dali em diante, deverá treinar de forma responsável, respeitar seus colegas, a lidar com a frustração de perder uma luta e o equilíbrio de saber ganhar de forma natural, evitando estrelismo e arrogância. 

No relacionamento com o mestre, a criança pode apresentar o medo de ser repreendida, dos treinos serem difíceis e de não dar conta de obter sucesso. Por esse motivo a importância do professor proporcionar um ambiente calmo, onde a criança se sinta amparada diante das suas inseguranças. 

Caso as dificuldades da criança sejam detectadas rapidamente pelo mestre e orientadas de forma tranquila, ela prosseguirá sua trajetória sem nenhum entrave, permitindo à criança prosseguir na conquista de suas capacidades, ajudando-a a recuperar a motivação para os treinos.

Por outro lado, se a falta de motivação é uma das consequências da ausência de disciplina pessoal para realizar as obrigações, é sinal de que a criança não construiu os sensos de responsabilidade e de comprometimento que a habilitariam a cumprir seus objetivos nos treinos. Por isso, é importante que o mestre procure saber se a criança é orientada e estimulada pelos pais e se as desobediências são discutidas e corrigidas.

Se os sensos de responsabilidade e comprometimento não estiverem sendo trabalhados e cobrados nessa fase, muito provavelmente as desculpas para não treinar poderão surgir. É o momento da criança começar a desenvolver o caráter e, com ele, os comportamentos morais, que deverão ser-lhe ensinados e exigidos para que possa aprender a cumprir suas obrigações, sem que necessite ser cobrada para tal. Somente depois dessa aprendizagem, ela estará apta a fazer escolhas morais e saberá estabelecer, para si mesma, o quanto do seu tempo poderá dedicar a treinar e a fazer o que lhe dá prazer. 

É preciso que os mestres e professores de artes marciais se mobilizem para receber essas crianças em suas academias, ajudando de forma adequada. Sobretudo, é necessário que assumam o compromisso de desenvolver suas capacidades físicas e emocionais.

Dica de Leitura

  • Mentes que Aprendem: um ensaio sobre a prontidão para aprendizagem/ Susan Zimong Leibig, (organizadora). São Paulo: All Print Editora, 2011.

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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