‘Acompanhamento nutricional pode te levar ao topo’, diz nutricionista que mudou radicalmente alimentação de campeão pan-americano

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Nathalia Chantre, 31 anos, é parte principal do processo de profissionalização do Jiu-Jitsu como esporte. Com papel fundamental na performance de atletas de elite, a nutricionista é responsável por montar um plano alimentar e deixar que os campeões cheguem saudáveis, com seu máximo potencial em questão de desempenho.

Se antes era possível ver atletas cortando peso de forma errada e optando por comidas gordurosas e refrigerantes, hoje, esse erro tem que ser mínimo. A profissionalização do Jiu-Jitsu chegou em todas as esferas, desde a premiação em dinheiro até no cuidado com a performance.

Nutricionista certificada pela International Sports Sciences Association, Nathalia já acompanhou mais de 300 atletas em seus mais de cinco anos de profissão. Para ela, o atleta de alto rendimento que cuida dos mínimos detalhes de sua alimentação, sai na frente dos demais.

“Chega uma hora que a chave do atleta tem que virar e ele entende que para se manter em alto nível hoje, é preciso ter mais que bons treinos, precisa ser mais que apenas talentoso. É importante se cercar de uma equipe multidisciplinar que vai te deixar nos seus 100% para performar com excelência. Um dos maiores diferenciais do meu trabalho com atletas é investir tempo com cada um deles. Eu trato os atletas com individualidade para entender seus objetivos de forma minuciosa, seus treinos, possíveis falhas, dificuldades, e não poupar esforços para desenvolver um plano alimentar. Quero que o atleta tenha aderência, que o plano seja compatível com sua realidade, tornando mais simples conquistar o objetivo desejado. Por isso que eu falo que não faço consulta, eu faço acompanhamento nutricional com atletas e praticantes de Jiu-Jitsu. Nosso contato é muito próximo, faço ajustes diariamente, caso seja necessário, na fase pré-competitiva”, explica Nathalia, também praticante de Jiu-Jitsu.

No Pan-Americano da Internacional Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), um dos principais campeonatos do ano, Nathalia teve diversos atletas campeões e destaca-se a performance de Lívio Ribeiro, medalha de ouro no peso-galo. Ela conta, a seguir, quais foram as principais mudanças na rotina de alimentação de Lívio e os erros que ele cometia.

“Lívio fala abertamente das loucuras que ele fazia para bater o peso antes de ter acompanhamento nutricional. Ele, por exemplo, cortava água na semana que antecede a luta. Além disso, cortava alimentos ricos em carboidratos e utilizava remédios laxativos – é inacreditável como alguém consegue treinar e lutar nessas condições, completamente desidratado e sem estoques de glicogênio. Certamente, ele dormia mal e sua imunidade estava extremamente baixa. Quando me deparei com esse cenário no mês de março, a primeira coisa foi arrumar a casa e ajustar o básico: melhorar a saúde intestinal, aumentar a ingestão hídrica e melhorar a qualidade do sono”, explica Nathalia, antes de acrescentar:

“Ele entendeu que não deve passar fome para bater peso, não precisa desidratar e não tem porque cortar alimentos com fontes de carboidratos. Então, na sua alimentação eu inclui: arroz, cuscuz, macarrão, batata, diversas frutas, mingau de aveia, tapioca, feijão e muitos outros alimentos ricos em micro e macronutrientes. Também utilizei alguns suplementos como: beta alanina, probiótico, vitamina D3, magnésio, ômega 3 e creatina. Por sinal, creatina não atrapalha em nada, quando o assunto é corte de peso. Muito pelo contrário, é um suplemento extremamente seguro, melhora a tolerância ao esforço, a recuperação muscular, além de melhorar a resposta adaptativa do treino”, destaca ela.

Foi a primeira vez que Lívio fez alimentação no dia da luta. Anteriormente, o faixa-preta optou por lutar sem comer na primeira luta, pois o principal adversário era a balança. Desta vez, em 2021, tudo mudou e Lívio teve a melhor performance em seu início de faixa-preta.

“Eu acompanhei o treino do Lívio de perto e era visível a sua evolução, principalmente na fase final do treinamento, próximo da competição, que geralmente ele já se sentia extremamente saturado, estressado e fadigado. Eu estava muito animada para vê-lo nos campeonatos. Seria a primeira vez que ele iria comer no dia da luta! Eu tinha certeza que a performance dele seria diferenciada e foi. Ele sabia que podia explodir do começo ao fim da luta, ele sabia que tinha estoques de energia, e estava bem treinado, pois contou com a preparação física do Itallo Vilardo e treinos na academia Ares, em Modesto, liderada pelo professor Samir Chantre. Quem acha que acompanhamento nutricional não faz diferença, certamente nunca teve a oportunidade de ser acompanhado por um bom nutricionista!”, encerra Nathalia.

Nathalia é Health Coach pela Integrative Nutrition (IIN) e atualmente faz pós-graduação em Nutrição, Metabolismo e Fisiologia no esporte.

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