Artigo: como identificar, entender e lidar com adolescentes diagnosticados com transtornos alimentares

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* Infelizmente, vivemos em uma cultura onde a magreza e o corpo perfeito são fundamentais para se sentir aceito. Por esse motivo, todos os professores, independente de qual área de atuação estejam trabalhando, têm por obrigação entender essa doença, pois somente através do conhecimento podemos ajudar os nossos alunos, que muitas vezes não conseguem verbalizar seus conflitos mentais e físicos.

O transtorno alimentar é um transtorno mental que apresenta comportamentos alimentares que influenciam de modo negativo a saúde física/mental. São patologias descritas pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e Organização Mundial da Saúde.

Os tipos de transtornos alimentares mais comuns são:

Anorexia Nervosa – se inicia com uma dieta em busca de uma alimentação saudável e, aos poucos, a pessoa vai diminuindo as refeições, chegando às dietas enlouquecedoras, acompanhadas do medo exagerado de engordar. Os transtornos alimentares são problemas comportamentais frequentes entre adolescentes, principalmente nas meninas, e não é difícil conhecer mulheres, adolescentes e até mesmo crianças fazendo dietas para emagrecer. Trata-se de uma alteração da percepção da imagem corporal, por meio da qual a adolescente, mesmo magra, se enxerga gorda e acima do peso. Outra característica presente nas jovens é a amenorreia, a interrupção da menstruação por mais de três meses.

Nas crianças e nos adolescentes, por estarem em fase de crescimento, a perda de peso pode não ser evidente. Entretanto, podemos observar uma dificuldade muito grande para se ganhar o peso esperado para a idade determinada. Alguns adolescentes podem utilizar técnicas purgativas, como provocar vômitos após alimentação, usar laxantes e diuréticos, e praticar exercícios físicos exagerados, desrespeitando até mesmo o ensinado pelos mestres no tatame. Tudo pela obsessão doentia em obter um “corpo perfeito”.

Esses adolescentes apresentam preocupações excessivas com o valor calórico dos alimentos e recusam-se a se alimentar, justificando que estão acima do peso e que engordar mais seria inaceitável. Não há percepção do problema, e nesses casos, a baixa autoestima é frequente, assim como sentimentos de invalidez e tristeza. A presença de transtornos comportamentais associados, como depressão e transtorno ansioso, por exemplo, também são comuns e podem piorar o prognóstico. (Teixeira, pag. 210)

Bulimia nervosa – é definida como transtorno alimentar em que o adolescente come compulsivamente, experimentando uma sensação de falta de controle. É capaz de se alimentar de uma grande quantidade de comida em um curto espaço de tempo, sempre relacionado com uma ansiedade intensa e um desejo incontrolável por comida. Após esse comportamento compulsivo, há culpa, tristeza, vergonha, medo de engordar, arrependimento e ainda mais ansiedade, entre outros pontos.

Como mecanismo de alívio de todos esses sentimentos, ocorrem atos compensatórios para evitar o ganho de peso: métodos purgativos e realização de muitos exercícios físicos. Por esse motivo, os professores de artes marciais precisam observar esse exagero de atividades físicas apresentada de maneira estranha.

Normalmente, os adolescentes com bulimia estão dentro da faixa normal de peso e comorbidades – como transtornos ansiosos e depressivos – estão presentes. Muitos que apresentam esse transtorno podem apresentar também transtorno de personalidade associados, como o de personalidade borderline.

Caso clínico antes da pandemia (exemplo para ficarmos atentos com os nossos adolescentes)

Carla, de 14 anos de idade, foi encaminhada para avaliação psicológica por um médico clínico que a atendeu após um incidente numa academia de artes marciais. Segundo o que foi investigado, Carla desmaiou no tatame após treinar sem se reidratar. O pai relatou que são comuns as crises de ansiedade e choro, seguidas do consumo exagerado de comida. Segundo ele, no dia do incidente na academia, após uma briga violenta com a irmã, ela comeu e bebeu exageradamente. Depois viu que ela se escondeu no banheiro e induziu o vômito. Passaram-se algumas horas, ela trocou de roupa e correu para academia.

O que fazer nesses casos? 

É essencial para o diagnóstico e o início do tratamento que os professores identifiquem precocemente os sintomas do transtorno e orientem a família a procurar um psicólogo para uma avaliação. Quanto mais cedo identificados, menores são os prejuízos para vida desses adolescentes. Espero ter contribuído com todos!

Referências

  • Teixeira, Gustavo – Manual dos transtornos escolares: entendendo os problemas de crianças e adolescentes na escola? Gustavo Teixeira – 2°edição Rio de Janeiro; BestSeller/2013.

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Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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