Artigo: quanto o Jiu-Jitsu pode auxiliar no tratamento da obesidade? Atleta relata como foi sua experiência

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* Nos últimos anos, temos ouvido muito falar sobre a importância de aceitar o nosso corpo, reconhecer este corpo e, principalmente, cuidá-lo de forma saudável, não entrando em desespero, buscando recursos que podem nos levar à morte. Tudo que sai do equilíbrio se torna vício, e tudo que é vício traz prejuízos.

Estamos vivendo em uma pandemia e sabemos que o desequilíbrio mental ocorre em algum momento do nosso dia, trazendo ansiedade, tristeza, falta de esperança e desânimo, afinal, somos seres humanos e muitas pessoas tem buscado aliviar suas dores emocionais na comida, na bebida e doces de forma exagerada, prejudicando sua saúde e causando até mesmo obesidade e compulsão alimentar.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade atinge metade da população mundial. A projeção do órgão é que até 2025, caso medidas não sejam tomadas, esse número cresça e registre a incrível marca de 2,3 bilhões de adultos considerados acima do peso e mais de 700 milhões de obesos.

A obesidade pode ocorrer em qualquer idade e, no Brasil, a quantidade de pessoas que passam por esta situação está cada vez maior, devido ao consumo excessivo de alimentos calóricos, como pão, massas, doces, fast food e comidas prontas, além do sedentarismo, o que faz com que a quantidade de calorias consumidas sela maior do que a quantidade que a pessoa gasta ao longo do dia. Além disso, distúrbios hormonais ou problemas emocionais, como ansiedade ou nervosismo, também podem aumentar o risco de obesidade e, por isso, estas situações devem ser tratadas logo que sejam identificadas. 

Retomando nosso tema, vamos falar sobre a experiência da instrutora de Jiu-Jitsu e Muay Thai Paula Santos, sobre sua luta para emagrecer, buscando nas artes marciais uma das possibilidades de perder peso. Sabemos que não bastam somente os exercícios físicos, o cardápio precisa ser reformulado por um nutricionista. 

MS: Qual foi o fator principal para que você procurasse algum tipo de atividade física?

AP: Minha trajetória na busca de procurar algum tipo de atividade física começou especificamente em querer perder peso. Eu trabalhava em um supermercado como balconista de frios, onde mesmo trabalhando, eu sempre estava comendo uma coisa ou outra, e acabei engordando 40 kg. Foi quando comecei a sentir muitas dores nas pernas e sabia que era recorrente ao peso, e mesmo assim, não tomava atitude, trabalhava o dia todo e quando chegava em casa eu tinha que cuidar dos meus filhos e dar conta dos afazeres domésticos. Tinha acabado de me separar do ex-marido e tudo colaborava para que eu engordasse cada vez mais.

MS: Sabemos que as dificuldades que as mulheres enfrentam são inúmeras, muitas vezes sem tempo para se cuidar. Mas como foi para você ter essa coragem de mudar sua rotina e cuidar da sua saúde?

AP: O que não falta na vida das mulheres são empecilhos… Trabalhar, cuidar de casa, educar filhos e estar sozinha para administrar tudo isso é um desafio. Até que um dia resolvi mudar de vida e entrei na academia de musculação, porém não me adaptei, sou agitada. Foi quando comecei assistir lutas femininas e relatos, mas nunca acreditei muito nisso. 

MS: O que fez você mudar de ideia em relação às lutas?

AP: Mesmo não acreditando, resolvi conhecer as artes marciais. Na minha cidade tinha somente a modalidade Muay Thai. Fui até à academia, porém, os horários não batiam com a minha correria do dia a dia. Foi quando conheci meu atual mestre. Neste mesmo dia ele me explicou da importância do Jiu-Jitsu, eu nem sabia o significado dessa modalidade. Falei que era impossível, pois eu morava 45 km da cidade dele. Foi quando ele conversou com seu aluno para me dar carona e finalmente fiz minha primeira aula.

MS: Como foi sua primeira aula de Jiu-Jitsu? 

AP: Foi horrível, me senti a pior pessoa do mundo. Eu não tinha energia o suficiente e amigos para me incentivar, foi péssimo. Mas mesmo assim eu sentia meus músculos do corpo reagirem de uma forma que eu nunca senti, e com todas as dificuldades, eu resolvi encarar, pois precisava perder peso. Comecei a fazer uma dieta, cortei refrigerante, pães e açúcar por conta própria, e alguns colegas do meu trabalho duvidaram da minha força de vontade, pois eu era apelidada de formiga, viciada em açúcar.

MS: Você diz que adorava açúcar. Como foi deixar de comer esses alimentos calóricos?

AP: Não foi nada fácil deixar de comer doces, beber refrigerantes, mas quando percebi que o Jiu-Jitsu estava me ajudando eu fiquei animada. No começo eu só treinava na minha folga, uma vez por semana, no início eu passava muito mal, porque eu queria muito emagrecer e aprender mais sobre essa arte. Foi quando eu decidi treinar todos os dias da semana.

MS: E quanto ao seu mestre, o que ele achava dos seus esforços?

AP: Meu mestre me ajudou muito. Foi quando ele me apresentou um projeto social, dizendo que eu não precisava pagar a mensalidade, porém, isso iria exigir muito de mim. Reformulei meus horários no serviço, passava em casa, tomava banho e pegava o ônibus, e só encontrava meus filhos à noite, e muitas vezes dormindo na casa da minha tia ou madrasta. Minha alimentação não era saudável. Por questões financeiras, não dava para gastar dinheiro comprando alimentos light, então investi em suplementos para me dar energia e durante o dia, comia frutas secas e bebia muita água.

MS: Você perdeu peso praticando Jiu-Jitsu e mudando a alimentação?

PS: Sim, quando comecei no Jiu-Jitsu eu pesava 91kg (altura 1,66cm), e em três meses, perdi 10 kg. Isso fez com que eu tivesse mais força de vontade, e quanto mais eu perdia peso, mais tinha certeza de que o Jiu-Jitsu era mais do que um esporte para minha vida e que poderia me ajudar em outras áreas. Comecei a me sentir segura e não ter medo de andar sozinha nos lugares, afinal, infelizmente sempre tem um homem querendo fazer gracinhas.

MS: Quais foram os benefícios do Jiu-Jisu para sua vida?

PS: Em dois anos, minha vida mudou radicalmente. Hoje peso 57 kg e meu corpo não é flácido. Nem nos meus melhores anos eu sonhava com esse corpo. Nesse meio tempo, participei de alguns campeonatos, dois mundiais, dois panamericanos, um worldcup, internacionais e outros. Hoje, após cinco anos, sou instrutora de Jiu-Jitsu e Muay Thai. O meu sustento vem desse trabalho e encorajo mulheres que, assim como eu, também tem vontade de emagrecer. Ainda é considerado um esporte para homens, muitas mulheres têm receio de praticar essa modalidade.

MS: Você pode deixar uma palavra de incentivo para nós mulheres? 

PS: Sim, as artes marciais podem nos trazer uma vida saudável, de forma que você se apaixone e queira cada vez mais estar nesse caminho. Por isso que eu sempre digo para as minhas alunas: só comecem e deixe a Arte Marcial mostrar o que ela pode fazer por vocês”. Oss!.

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Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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