Coluna da Arte Suave: uma nova reflexão para quem não valoriza os atletas veteranos no Jiu-Jitsu

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* No artigo anterior, escrevi sobre valorizar aqueles lutadores mais velhos, reconhecer o valor e exemplo que dão, demonstrando determinação, a coragem de ainda estarem nos tatames, ou como se dizia antigamente, nos ringues, lutando com atletas mais novos, com 20 anos ou até mais tempo de diferença entre idades.

A fisiologia muscular e o aeróbico são bem diferentes com o tempo. Por conta deste artigo, recebi muitos e-mails concordando comigo, outros com atletas se animando em voltar aos treinos, com saudades dessa endorfina tão particular que o Jiu-Jitsu nos dá. Mas, em especial, recebi um e-mail de um leitor que escreveu dizendo que, na sua academia, alguns não queriam treinar com ele, ou quando lutavam, usavam uma força desproporcional, sendo apenas um monólogo de um lutador. Ele ainda afirmou que saiu diversas vezes lesionado, o que o fez parar, até mesmo por pressão de familiares diante das várias lesões sofridas. 

Infelizmente, ainda existem lutadores que não percebem que são parâmetros quase que opostos em momentos diferentes da vida. Muitos lutadores mais antigos não competem, mas vão aos treinos da semana por vontade de estar nos tatames, trocar força, independentemente de vencer, o principal é estar treinando. 

Essa é a visão que precisamos ter, como professor e lutador, quando estamos com um atleta veterano que deseja treinar. Pense na coragem dele. Na força de vontade para estar ali. Por que despejar nele uma força absurda que você sabe que ele não pode equiparar? Equalize a sua força a dele e verá como o treino rende. 

Aqui na academia tenho um amigo da minha idade, faixa-preta, e treinamos sempre que ele aparece. Fazemos força, porque nossas idades empatam, então é um treino bom. Fazemos a força que podemos e está tudo certo. Eu tenho alunos e amigos faixas-preta que entendem e percebem essa diferença, equalizando a sua força. Saímos todos felizes do treinamento e sem lesões. Isso não significa, entretanto, que não haja finalizações ou muita movimentação nas lutas. 

O e-mail deste lutador veterano, por um lado, me deixou triste por ver que ele parou com o Jiu-Jitsu contra a sua vontade, parou pela falta de percepção e respeito dos lutadores da sua academia. Os professores e lutadores precisam entender que a idade avança para todos, e que se continuarem a lutar, passado um bom tempo, estarão no outro lado, no lugar do veterano de hoje em dia. Creio que a academia e todos ganham com o respeito e a valorização do lutador veterano, independentemente se ele é um competidor ou não. 

A foto desse artigo foi tirada no treino da manhã, antes de eu receber o e-mail desse representante veterano. Essa foto se encaixa perfeitamente no tema. Esse meu amigo faixa-preta é 20 anos mais novo. Equalizou sua força e treinamos por dez minutos. Fui finalizado por ele duas vezes. É claro que ele poderia ter usado toda a sua força, ter explodido mais e me finalizado mais vezes. Certamente, eu não conseguiria ter treinado por dez minutos com ele. Eu ganhei porque treinei no melhor que eu poderia fazer, puxando os meus limites, e ele ganhou também, porque ajustava e experimentava movimentos pensando nos próximos campeonatos. Enfim, ambos ganhamos. O principal, pra mim, é estar lutando, seguir treinando nossa arte. Não desanime. 

Para mais informações, veja https://www.instagram.com/luizdiasbjj/ ou entre em contato pelo e-mail [email protected]. Também conheça o http://www.geracaoartesuave.com.br/. Oss!

* Por Luiz Dias

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