Galvão se pronuncia após confusão com Gordon Ryan, o perdoa e revela motivo de não revidar agressões: ‘Viraria uma briga de rua’

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A confusão envolvendo André Galvão e Gordon Ryan, no último final de semana, nos bastidores do evento Who’s Number One, causou grande repercussão entre fãs e praticantes de Jiu-Jitsu. Rivais declarados, os lutadores discutiram e o americano acertou dois tapas no rosto do brasileiro. Gordon, que enfrentou e finalizou Roberto Jimenez no card, contou em entrevista ao FloGrappling que o desentendimento teve início após tentar falar com Galvão, que segundo ele, não quis cumprimentá-lo e o xingou.

“Talvez, se você tivesse lutado, poderia estar dando entrevistas. Eu fui falar com você, você me xingou e te bati. Saia daqui e me deixe dar a entrevista”, disparou o norte-americano .

Praticamente uma semana após o polêmico caso, André Galvão, enfim, se pronunciou. Na última sexta-feira (5), através de uma transmissão ao vivo em sua conta oficial no Instagram, o líder da Atos San Diego se desculpou com toda a comunidade do Jiu-Jitsu e deu maiores detalhes sobre o ocorrido com Gordon Ryan. Além disso, o multicampeão revelou o motivo de não ter revidado as agressões de Gordon.

“Gostaria de pedir desculpa a todos, à minha família, amigos, alunos e a toda comunidade do Jiu-Jitsu. Sempre tive um apoio bom de vocês e me coloquei nessa situação chata, que não tenho orgulho nenhum de fazer parte, então gostaria de me desculpar. Confesso que errei na situação. Primeiramente eu fui, mostrei o dedo do meio para o Gordon, depois xinguei, falei um monte de palavrão, a situação foi se escalando, ele chegou perto e foi onde eu empurrei ele, naquela hora que a gente se encontrou no corredor, e foi onde ele me agrediu. Só me mantive calmo na hora, mas eu fui surpreendido na hora. Reconheci que estava errado na hora.

As pessoas me perguntam: por que o Galvão não revidou na hora, não devolveu na mesma moeda? Não revidei porque eu estudo sobre defesa e agressão, tenho vários alunos policiais, e então decidi não partir para a ignorância. Se vocês forem ver, eu fui para conversar. Na hora que aconteceu a situação, pensei na minha família, no meu futuro, comecei a pensar nas consequências que viriam. A partir do momento em que você não está no tatame, está na rua, não ia ter regra… Pensei no meu legado, no meu trabalho, não ia valer a pena. Pensei que a polícia ia vir. Fiquei consciente o tempo todo, frio. Sei que se tivesse tomado uma atitude, pagaria as consequências, assim como muitas pessoas já pagaram e estão pagando. Fui falando apenas o que eu deveria e queria falar. Claro que no início, quando cheguei perto, eu falei de uma forma agressiva, xinguei ele e até peço desculpas, porque fui um péssimo exemplo naquele momento. Felizmente, não reagi, fiquei em plena paz quanto a isso, porque eu pratico arte marcial, então quando eu ensino a luta, o Jiu-Jitsu, não ensino para brigar na rua, então mantive a calma e vi que viraria briga de rua, sem regra. Não quis levar nada para um nível maior”, contou Galvão.

No decorrer de seu pronunciamento, o experiente faixa-preta também afirmou que vinha optando por levar a rivalidade pelo caminho do “trash talk”, visando promover a luta contra o americano, seja em uma edição do ADCC ou em outros torneios de lutas casadas. No entanto, Galvão admitiu que a situação foi se agravando com o passar do tempo, o que desencadeou na confusão. Por fim, o brasileiro disse que perdoa Ryan pelos tapas e pela discussão como um todo.

“Sobre o trash talk, acho que é bom para promover uma luta, e eu estava achando que essa era a forma de promover a luta. Começamos a ofender um ao outro, fui tentando ser divertido, mas as ofensas começaram a ficar mais pesadas, foi para um lado mais pessoal e se criou uma tensão. O trash talk não é bom para a vida. Foi uma experiência negativa que eu tive. Fiquei envolvido nisso para tentar promover, para tentar escalar um esporte a um outro nível, mas de uma forma totalmente tola e achei completamente errado, claro, depois de tudo o que aconteceu. Não curti ficar nessa negatividade. Sempre respeitei meus adversários, sempre procurei ser leal às regras. Claro que já tive desavenças, mas sempre procurei me comunicar e nunca levei para o lado pessoal. Mantive minha integridade e calma. Reconheço meu erro e me comuniquei errado, desviei meu foco de vida e acabei entrando nessa, reconheço tudo isso.

As pessoas falam: agora tem que arrancar o braço desse cara. Eu não quero carregar esse espírito de vingança dentro de mim, quero exercer minha fé diante desse clima negativo. Responder violência com mais violência não resolve nada e você vai pagar pelas consequências. O que eu vou fazer com o Gordon Ryan? Vou perdoá-lo. Sei que errei, fui ignorante e agi cheio de ego. Me exaltei muito e tive que aprender. Eu perdoo ele, não quero carregar isso em mim e agora já passou. O que eu posso mudar são minhas atitudes daqui pra frente”, concluiu.

Confira o pronunciamento de André Galvão na íntegra:

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