Morando na Inglaterra, Jackson Sousa fala sobre o Jiu-Jitsu no combate à depressão e ansiedade: ‘A chave para um estilo de vida melhor’

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* Jackson Sousa tem uma daquelas histórias que dariam um filme. Cria do Cantagalo, comunidade do Rio de Janeiro, ele teve que enfrentar as barreiras impostas pela vida para aproveitar as pequenas oportunidades que apareceram no caminho. E foi aos 11 anos de idade que Jackson notou que sua vida poderia mudar através do esporte, depois dos primeiros contatos com o Jiu-Jitsu em um projeto social disponibilizado por Fernando Augusto, o “Tererê”, e outros craques como Ricardinho Vieira e Alan “Finfou”.

“O Jiu-Jitsu mudou a minha vida. Eu vi amigos que cresceram comigo perderem a vida por conta do crime. Você tem que driblar as drogas, tem que lidar com a falta de oportunidades. Foi preciso acreditar, de fato. Eu era um jovem sonhador, sem muitas expectativas, até encontrar o Jiu-Jitsu. Eu viajei o mundo todo, aprendi a falar inglês e, agora, posso proporcionar coisas boas para minha mãe e minha família. A caminhada não foi fácil, eu tive que lavar carros e fazer outros trabalhos paralelos enquanto treinava Jiu-Jitsu, mas isso tudo só me deixou mais forte. Eu vi muita coisa que uma criança de 11 anos não vai ver nunca. A realidade, para mim, era outra”, explicou Jackson em entrevista à TATAME, ao contar sobre a importância do esporte na sua vida.

Hoje com 20 anos de Jiu-Jitsu, Jackson é um renomado faixa-preta com títulos expressivos no Campeonato Europeu e Mundial No-Gi, ambos organizados pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF).  Aos 31 anos, ele é o professor responsável pela equipe da Checkmat Hammersmith, em Londres, na Inglaterra.

“O Jiu-Jitsu praticamente foi a chave para um estilo de vida melhor quando eu ainda era criança passando nas vielas e becos da favela do Cantagalo. O Jiu-Jitsu está me proporcionando uma qualidade de vida que antes eu não tinha no Brasil. Eu sou muito grato ao esporte por tudo que conquistei até hoje e sei que ele ainda vai me proporcionar muito mais. E também sou muito grato por estar vivenciando uma cultura totalmente diferente do meu país. Hoje eu moro em Londres, na Inglaterra, cidade desejada por diversos brasileiros para fazer intercâmbio ou uma faculdade por conta da valorização da educação e qualidade de ensino que é oferecida para a população em geral. Isso é ouro! Jamais imaginaria estar vivendo na terra da rainha Elizabeth II. O mais incrível de tudo é saber que temos o Roger Gracie vivendo aqui também. Tenho ele como uma grande referência e influência na Inglaterra”, comentou Jackson, faixa-preta desde 2013.

Em tempos de pandemia, causada pelo novo coronavírus, o índice de depressão aumentou na Inglaterra. O lutador, em suas palavras, disse como a arte suave pode servir de auxílio no combate ao problema mental.

“Cerca de uma em cada quatro pessoas tem problemas de saúde mental na Inglaterra. Depressão e ansiedade são comuns. Isso é ainda mais agudo agora durante a pandemia, pois há muita pressão sobre as pessoas, com a perda do emprego e poucas oportunidades para relaxar. Ter uma mentalidade forte agora é mais importante do que nunca, mas leva tempo e esforço. O Jiu-Jitsu, mesmo que só aconteça online por causa da pandemia, é um remédio. Ajuda você a se conectar com as pessoas e a investir em sua própria força física e mental. Eu sei que alguns de meus alunos aqui em Londres sofrem de ansiedade e depressão… Às vezes, acho que meu dever fora do tatame é quase tão importante quanto meu trabalho nele. Eu preciso apoiar e motivar meus alunos, ouvi-los quando eles têm problemas e tentar alegrar o dia com minhas piadas e movimentos de dança. Eu uso todo o poder do Jiu-Jitsu para tornar a vida de uma pessoa melhor”.

Assíduo competidor, Jackson está aberto a receber convites para participar de torneios como Fight 2 Win e BJJ Stars, eventos tradicionais de lutas casadas nos Estados Unidos e Brasil, respectivamente, entre outros.

“Estou disponível e aberto a propostas de lutas. Vejo o Jiu-Jitsu crescendo muito todos os anos com os eventos de lutas casadas como BJJ Stars, BJJBET, Fight 2 Win e outros desenvolvendo um trabalho honesto e de valor para o nosso esporte e atletas. Isso me alegra muito, pelo fato de que esses eventos motivam a nova geração do Jiu-Jitsu a continuar o legado do esporte. Gostaria de parabenizar todos os coordenadores e equipes por trás dos eventos de lutas casadas. Em toda minha carreira até aqui, eu lutei com os melhores na minha categoria e no absoluto. Eu ganhei, eu perdi, mas nunca perdi a minha postura. Sempre respeitei a todos e nunca chamei ou desafiei atletas pelo fato de ser um atleta tranquilo na minha caminhada. É claro que tenho desejo de lutar com alguns atletas, porque nunca tive a oportunidade. Eu tenho um grande respeito e admiração por muitos deles. Seria legal ter uma oportunidade de dividir o tatame com Nicholas Meregali, Dimitrius Sousa, Patrick Gaudio e outros que eu ainda não tive a chance de lutar”, concluiu o atleta.

Jackson Sousa aproveitou a quarentena para estudar Ginástica Natural com Raphael Romano. Agora, ele tem beneficiado diversos de seus alunos através das aulas online de Ginástica Natural, um exercício desenvolvido com o próprio peso corporal. Jack ainda produz conteúdos exclusivos de Jiu-Jitsu em plataformas online como, por exemplo, seu curso de Pegada de Costas, disponível no site The Grapple Club (saiba mais sobre).

* Por Vitor Freitas

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