Multicampeã no Kickboxing e Muay Thai, Julie Werner projeta defesas de título no WGP e relembra luta contra Holly Holm

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* Atualmente com 39 anos, Julie Werner possui uma boa parte de sua vida dedicada às artes marciais. Natural de Joinville, em Santa Catarina, a lutadora começou a se interessar pelas artes marciais aos 20 anos, no Muay Thai, para aperfeiçoar sua defesa pessoal após sofrer um assalto. O que era apenas para se defender virou uma paixão e uma trajetória vitoriosa nos ringues. Depois de conseguir conciliar os treinos com a rotina de estudos na faculdade de Educação Física, Werner se formou e pôde se dedicar integralmente ao esporte.

Na luta em pé, mais precisamente no Muay Thai e no Kickboxing – além de uma breve passagem pelo Boxe -, Julie construiu uma carreira de sucesso, com diversos títulos conquistados. Foram oito campeonatos brasileiros, título Sul-Americano, Pan-Americano, além dos vices nos Mundiais de Kickboxing e Muay Thai. Com mais de 80 títulos em seu currículo, a catarinense também faturou o cinturão do WGP, considerado o maior evento de Kickboxing da América Latina, título que mantém até os dias atuais.

Além da trajetória repleta de vitórias e títulos na luta em pé, Julie Werner se aventurou no MMA, onde construiu um cartel profissional de oito vitórias e seis derrotas. Dos 14 combates realizados nas artes marciais mistas, a atleta destaca o embate que fez com Holly Holm, em abril de 2014, pelo evento LFC, atualmente conhecido como LFA (Legacy Fight Alliance). Na ocasião, a brasileira foi derrotada por nocaute técnico no quinto round, mas travou um combate de alto nível ao longo de cinco rounds com a americana, que atualmente luta no UFC e já foi campeã na categoria peso-galo.

“A minha luta contra a Holly Holm foi a mais marcante de MMA que fiz. Perdi, mas foi uma luta que, além ter dado meu máximo nos quase cinco rounds, me deixou feliz quando assisti o duelo. Coração define um lutador, e creio que ali, o meu foi posto à prova”, relembra a casca-grossa.

Confira a entrevista na íntegra com Julie Werner:

– Como se deu o início nas artes marciais? O que te motivou a iniciar na luta?

Eu sempre tive vontade de treinar alguma arte marcial, isso desde criança. Mas, na verdade, comecei mesmo aos 20 anos, após sofrer um assalto. O assaltante não estava armado, mas depois disso eu comecei a praticar a luta em pé como forma de defesa pessoal e depois de um tempo decidi seguir carreira.

– Trajetória de títulos até chegar ao WGP

Amo lutar trocação, é minha grande paixão, de fato. Minha primeira luta foi de Kickboxing e eu venci, lembro que foi o Campeonato Estadual. Com isso, me classifiquei para o Campeonato Brasileiro, onde também venci. Daí em diante, foram: 8 Campeonatos Brasileiros, primeiro lugar em todos; campeã Sul Americana, campeã Pan-Americana, vice-campeã mundial de Kickboxing (Brasil) e vice-campeã mundial de Muay Thai (Bangkok, Tailândia). Tive uma passagem pelo Boxe, lutando na África do Sul, Uruguai, Argentina e Brasil. Pela CBKB (Confederação Brasileira de Kickboxing) e WAKO (World Association of Kickboxing Organizations), até o momento, foram mais de 50 lutas. Ao todo, são quase 80 lutas em meu currículo. Em 2016, fiz minha primeira luta no WGP.

Depois, foquei um tempo no MMA. Voltei a lutar o Brasileiro e em 2018 houve um WGP em Joinville, onde moro. Me chamaram pra lutar pelo cinturão interino. Vencendo, me dariam o direito a lutar com a atual campeã. Venci a disputa do interino e no dia da luta pelo cinturão titular, poucos dias antes, minha adversária lutou MMA e não pôde lutar comigo. O cinturão passou para mim e em 2019 defendi o cinturão na Argentina.

– Título do WGP conquistado em 2018

Venci e conquistei o cinturão em 2018 com um nocaute, mais precisamente um chute na cabeça, foi emocionante. E a torcida a meu favor, torcendo e vibrando, foi indescritível. Defendi meu cinturão em 2019 na Argentina, onde venci por pontos. Foi uma luta dura, difícil, mas muito boa. Não vejo a hora de poder defender meu título novamente, até sonho às vezes que estou lutando (risos).

– Trajetória no MMA e luta contra Holly Holm

A migração para o MMA mudou minha rotina de treinos. Além da luta em pé e da preparação física, aumentei os treinos para Jiu-Jitsu, submission, e Wrestling, treinando de três a seis vezes ao dia, num ritmo intenso, acrescentando com os treinos de Muay Thai e Kickboxing, que eu já dava aulas, além de faculdade e outras coisas.

A minha luta contra a Holly Holm foi a mais marcante de MMA que fiz. Perdi, mas foi uma luta que, além ter dado meu máximo nos quase cinco rounds, me deixou feliz quando assisti o duelo. Coração define um lutador, e creio que ali, o meu foi posto à prova. A Holly é muito forte e precisa. A acertei e machuquei, ela quebrou o braço e eu também senti muitos golpes, e consegui  ir me recuperando, até encaixar o chute no pescoço. Depois dessa luta, fui contratada pelo XFC, justamente pela minha ação na luta com a Holly Holm.

– Agora, para finalizar, quais são seus planos em relação à sua carreira?

Pretendo defender o meu cinturão do WGP mais algumas vezes. Depois disso, meu objetivo é engravidar e continuar dando aulas no meu espaço, treinar futuros atletas que venham seguir meus passos, que me tenham como exemplo. É isso que eu quero visando os próximos anos.

* Por Mateus Machado

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