Nos EUA há 20 anos, faixa-preta avalia cenário do Jiu-Jitsu no país e destaca papel dos brasileiros

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Natural do Rio de Janeiro, Léo Ramos é praticante de Jiu-Jitsu desde a década de 1990 e, motivado por sonhos, trocou a Cidade Maravilhosa por San Diego, na Califórnia (EUA) em janeiro de 2000. Inicialmente, como era apaixonado por Jornalismo, a intenção era realizar uma série de reportagens com lutadores que estavam em ascensão na época, mas ao mesmo tempo, sua paixão pelo Jiu-Jitsu foi crescendo e sua trajetória passou a andar cada vez mais aliada ao esporte.

Da faixa azul à preta, Léo Ramos esteve com os professores Rodrigo Medeiros e Stefano Aguiar e, à medida que o tempo foi passando, acreditou que poderia atuar como professor. Dessa forma, passou a ensinar a arte em 2009, nas academias de San Diego, e entre 2014 e 2017, esteve à frente do programa de Jiu-Jitsu da UFC Gym de San Diego. Em outubro de 2017, mais uma mudança. O carioca se mudou para Las Vegas, onde reside atualmente, e passou a ser um dos principais instrutores da academia Fight Capital Gym, do boxeador Skipper Kelp. Nos dias atuais, o local conta com um programa sólido de Jiu-Jitsu para crianças de 3 a 6 anos, acima de 7 anos e adultos, além de aulas de Boxe e Muay Thai para profissionais e amadores.

Há mais de 20 anos acompanhando de perto e participando do crescimento do Jiu-Jitsu nos Estados Unidos, Léo Ramos deu sua opinião sobre o atual cenário da arte suave no país e destacou o papel dos brasileiros nesse processo, tendo em vista que muitos professores rumaram ao país para ensinar a arte suave aos americanos.

“O Jiu-Jitsu evoluiu bastante nos últimos anos e eu pude acompanhar a evolução do esporte nos EUA relativamente de perto, porque como eu morava em San Diego, os campeonatos aconteciam em Los Angeles, e não só no aspecto técnico o Jiu-Jitsu mudou, mas como também na organização de campeonatos e na frequência dos torneios. O esporte se difundiu de uma maneira absurda. Hoje, a arte suave é reconhecida não só nos EUA, mas internacionalmente. Quando eu me mudei em 2000 para a Califórnia, o Jiu-Jitsu ainda estava evoluindo, tinham pequenos campeonatos promovidos pelo João Moreira, outros no Sul da Califórnia pelo Carlo França, e eram campeonatos pequenos realizados dentro das academias, onde nomes expoentes saíram desses pequenos campeonatos e o cenário do Jiu-Jitsu hoje é forte nos EUA inteiro, sendo que a Meca se concentra no Sul da Califórnia. A participação brasileira nesse processo não tem como negar, é 100%! Os brasileiros vieram pra cá, a família Gracie foi fundamental e hoje vemos o resultado. Eu diria que o diferencial é que numa luta de MMA, você tem que ser completo… Tem que saber Boxe, Jiu-Jitsu, Wrestling, um pouco de tudo. Mas, se você tiver o seu chão completamente afiado, é o que há. Então, acho que os brasileiros são de extrema importância na evolução do Jiu-Jitsu internacionalmente, sem dúvida. Você não pode deixar de agradecer à família Gracie pela difusão do esporte”, destacou Léo.

Por fim, o faixa-preta projetou o que espera para os próximos anos e aproveitou para exaltar as federações e demais torneios que premiam em dinheiro os atletas que se destacam. Em contrapartida, lamentou o fato de muitos lutadores não terem o devido suporte financeiro para viver do esporte no Brasil, seja por falta de patrocínio ou até mesmo apoio das autoridades políticas.

“Eu vejo o cenário do Jiu-Jitsu crescendo e cada vez mais forte, ainda mais com os campeonatos que pagam aos vencedores a premiação em dinheiro, porque vale lembrar que o Jiu-Jitsu é um esporte que você gasta com quimono, com academia. Se não for patrocinado, irá gastar também gasolina para competir, hotel durante o campeonato. Ou seja, se você não tem um patrocinador, é difícil ser um competidor, então esses campeonatos pagos são muito bons, ainda mais para essa nova geração que está vindo. Acho que o atleta tem que ser reconhecido, pois o mérito de uma vitória vai além de ganhar uma medalha, é todo o esforço que o atleta faz para chegar no campeonato e tem que ser reconhecido. E a melhor forma de reconhecer o ser humano num país capitalista é com dinheiro. Então, por isso eu dou maior suporte aos campeonatos que pagam os atletas. Eu esperava que o Brasil chegasse um dia onde os EUA sempre esteve, num patamar que patrocinadores acreditam nas crianças, que o esporte em si tenha um suporte, seja do governo, seja de grandes companhias, de empresas que têm como investir. Mas isso no Brasil não existe, é uma pena. Nós temos grandes lutadores e professores de Jiu-Jitsu, grandes atletas de MMA, mas não tem estrutura para chegar num nível que merecem estar”, finalizou.

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