Ouro duplo no Mundial nas disputas da faixa-roxa, Jessica Guedry diz: ‘Nunca vou esquecer’

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Jessica Guedry venceu diversas oponentes em sua campanha na categoria e no absoluto (Foto Reprodução)
Jessica Guedry venceu diversas oponentes em sua campanha na categoria e no absoluto no Mundial (Foto Reprodução)

Por Mateus Machado

Uma americana foi o grande destaque nas disputas da faixa-roxa feminino durante o Mundial da IBJJF 2017, que foi realizado até o último dia 4 de junho, na Califórnia, nos Estados Unidos. Representando a academia Soul Fighters, Jessica Guedry faturou o ouro duplo na competição, considerada a maior da arte suave, e logo depois do torneio, foi graduada à faixa-marrom, em busca de novas projeções em sua trajetória na modalidade.

Primeiro, Jessica conquistou o título em sua divisão, a dos meio-pesados, vencendo quatro duelos, incluindo a final, contra Emily Sheil, onde saiu vitoriosa com uma finalização. No absoluto, Guedry fez outras quatro lutas, e na final, superou Kendall Reusing, da Gracie Barra. Em entrevista exclusiva à TATAME, a nova faixa-marrom falou sobre sua campanha no Mundial, seu começo no Jiu-Jitsu, o crescimento dos Estados Unidos na arte suave, suas principais inspirações no esporte e os próximos planos no esporte.

Confira a entrevista com Jessica Guedry:

– Sensação de conquistar o ouro duplo na faixa-roxa na disputa do Mundial

É difícil descrever em uma palavra, mas eu começaria com surreal. Era o meu sonho ser campeã mundial. Senti alegria, incredulidade e celebração após as finais na minha divisão. Tenho tido um ótimo sistema de apoio e fui capaz de comemorar com meus colegas, amigos e até a minha mãe estava lá. Ganhar duas vezes o ouro é uma conquista que jamais esquecerei.

– Começo no Jiu-Jitsu, trajetória, inspirações e motivações

Comecei a praticar o Jiu-Jitsu em 2011, com 18 anos. Estava lutando Boxe e Kickboxing para perder peso e, então, tentei o Jiu-Jitsu com um amigo um dia e comecei a frequentar as aulas na semana seguinte. Meus parceiros de treino me encorajaram a competir após pouco mais de um mês de treinamento. Perdi a minha primeira luta, mas eu vi que poderia melhorar e isso me impulsionou para competir de novo e continuar treinando. Isso foi quando comecei a aprender com as minhas falhas. No Jiu-Jitsu, sempre há uma maneira de melhorar e acho que buscar pequenas maneiras para melhorar é importante.

Meu parceiro de treino, amigo e treinador, Josh Mancuso, sempre esteve por mim. Ele me ajudou tanto no começo… Nós poderíamos treinar técnicas várias e várias vezes para melhorar e aprender. Eu aprendi com ele que, se você quer melhorar no Jiu-Jitsu, você tem que treinar com tudo, com diferentes pessoas e aprender de diferentes fontes.

E eu preciso agradecer cada um de meus companheiros nos últimos seis anos. Eu não seria a pessoa e a atleta que sou hoje sem as pessoas que me acompanharam através do Jiu-Jitsu. Nunca fui a um torneio sozinha e fiz maravilhosas amizades.

– Principais desafios na disputa da divisão de peso no Mundial

Na divisão meio-pesado, eu achei as outras lutadoras com bons estilos de luta. As competidoras são normalmente boas nas passagens e nas raspagens, então você realmente tem que aumentar o ritmo. Ninguém na minha divisão, no entanto, conseguiu pontuar contra mim. Nem no absoluto, exceto com alguns pontos de vantagem.

Minha grande dificuldade foi ter certeza de ir ao Mundial e ganhar. Colei grau da faculdade em 12 de maio, e até lá, minhas matérias tinham sido o meu foco principal. Também estava trabalhando em tempo integral e estava treinando o que podia na hora em que ia para a academia. Após a graduação, fui para o quartel-general da Soul Fighters, em Dallas (EUA), e fui capaz de me concentrar no Jiu-Jitsu por duas semanas. Estava confiante na minha técnica, mas o treinamento de preparação ajudou a minha mentalidade, foco e condicionamento.

Me senti preparada e confiante em todas as lutas. Nas semifinais da minha divisão, encontrei dificuldade quando Ketra Betrak me colocou em uma boa guilhotina muito rápido. Mas escapei e venci a luta por 18-0.

Nas finais da minha divisão, lutei contra Emily Sheil. Ela é muito alta, então tive cuidado com o triângulo. Executei a minha estratégia e consegui manter a guarda, raspei, passei e peguei pelas costas, alcançando a minha vitória com um estrangulamento pela gola por trás.

– Trajetória na disputa do absoluto no Mundial

Minha confiança subiu após vencer a minha divisão e eu sabia que, para vencer o absoluto, eu tinha que manter a minha energia no máximo. Quando começou a competição no absoluto, foi no final da noite e todas estavam cansadas. Tive uma boa atitude nas lutas. Queria me divertir e fazer o meu Jiu-Jitsu. Pude ver o quanto as outras competidoras estavam cansadas, mas eu não estava.

Jessica Guedry brilhou na faixa-roxa e conquistou o ouro duplo no Mundial (Foto Reprodução)
Jessica Guedry brilhou na faixa-roxa e conquistou o ouro duplo no Mundial (Foto Reprodução)

– Crescimento dos Estados Unidos no Jiu-Jitsu

Acho que o ouro duplo no Mundial mostrou o quanto as mulheres dos EUA são capazes. O esporte está crescendo no país e sei de muitas mulheres que estão treinando duro e melhorando. À medida que o crescimento continua, também cresce o número de competidoras. Sei de várias lutadoras norte-americanas que são ótimas atletas e competidoras, e mal posso esperar para ver o que elas podem alcançar.

– Atletas que mais admira no Jiu-Jitsu

As competidoras que eu admiro são Michelle Nicolini, Hillary Williams, Tammy Musumeci e até a Danielle Alvarez. No masculino, admiro Caio Terra, Rafael Mendes, Guilherme Mendes e Marcelo Garcia. No futuro, quero ser a melhor que puder e encarar as melhores competidoras. Não há apenas uma lutadora que eu sonhe em enfrentar, pois quero encarar todas para ver em que nível estou.

– Próximos planos no Jiu-Jitsu

Em setembro, vou viajar para Tóquio e competir no Asia Open. Até lá, vou dar aulas de Jiu-Jitsu e também seminários. Fiquei muito feliz quando achei caminhos de evoluir a minha técnica. Agora, irei focar nas minhas chaves de joelho e no mata-leão (americana) no pé. Também quero melhorar a minha passagem.

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