Vitor Ávila fala sobre trabalho na Gracie Kore e explica metodologia que desenvolveu unindo Wrestling e Jiu-Jitsu

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* Com grande experiência no Jiu-Jitsu e também no Wrestling, tendo como uma de suas grandes conquistas o cinturão do NAGA (North American Grappling Association), um dos grandes torneios de luta agarrada do mundo, Vitor Ávila tem quase uma vida inteira dedicada às artes marciais e, mais recentemente, assumiu um importante desafio como treinador da equipe de competição da Gracie Kore, academia comandada pela pentacampeã mundial Kyra Gracie.

Na equipe, além de passar toda sua experiência, conhecimento e habilidades da arte suave aos alunos, Vitor também, aos poucos, vem trazendo e aperfeiçoando uma importante metodologia: o Wrestling voltado para o Jiu-Jitsu, que o ajudou muito em competições disputadas nos últimos anos e que agora vem rendendo bons frutos para os atletas da Gracie Kore nos torneios que a equipe entra em ação. Praticante de Jiu-Jitsu desde os 14 anos e do Wrestling a partir dos 19, o faixa-preta falou sobre como vem sendo desenvolvendo essa prática.

“Quando o mestre Zé Mário Sperry me apresentou a Kyra, eu já vinha fazendo isso há um tempo, e agora que não estou competindo, estou ensinando a metodologia para a equipe de competição da Gracie Kore. Venho aperfeiçoando isso cada vez mais, desenvolvendo a base, a movimentação certa e ensino o aluno a ter uma noção de distância, para aplicar a queda da maneira correta. É uma coisa muito ampla e que é dividida em três partes: ensino ao aluno o que é competir, ao professor que quer ampliar o arsenal do seu jogo para ensinar, e a terceira parte é o aluno que não é competidor e professor, mas que quer aprender para praticar. Esse é o meu foco no momento, ampliar cada vez mais essa metodologia para a equipe Gracie Kore”, explicou, em entrevista à TATAME.

Confira a entrevista completa com Vitor Ávila: 

– Ao longo da sua trajetória nas artes marciais, quais foram os momentos mais importantes?

Guardo muitos momentos especiais, dentre eles, um onde eu estava na faixa-roxa, eu já treinava com o mestre Zé Mário Sperry, com o Minotauro, Minotouro, e no dia da graduação, o Minotauro estava tirando a faixa da cintura da galera e colocando a faixa nova, e no meu caso foi diferente. Ele tirou a faixa roxa da minha cintura e entregou a faixa marrom na mão do Zé Mário, que colocou na minha cintura. Foi um ato simbólico e nobre do Minotauro, onde ele me passou oficialmente ao mestre Zé Mário, e desde então, passamos a treinar cada vez mais juntos, me proporcionando um vasto conhecimento do Jiu-Jitsu Old School. Em dezembro de 2014, o mestre me deu a faixa-preta, veio na minha casa e liderou uma aula numa academia próxima, me graduando na sequência.

Um mês depois, lutei meu primeiro torneio de faixa-preta, o World Black Belt Championship, onde fui campeão sem tomar sofrer nenhum ponto. Outro momento importante foi em 2016, quando voltei ao Brasil após morar um tempo no Equador e descobrir que teria a realização do NAGA (North American Grappling Association), no Rio, um grande evento de luta agarrada. Me inscrevi e venci todas as lutas, novamente, sem sofrer pontos ou vantagens. No meio disso, conheci o Tatá (Duarte), dono do WOCS, e disse para ele que queria fazer uma luta profissional de MMA caso eu conquistasse o cinturão do NAGA, ele aceitou. Como conquistei, levei o cinturão para ele e, um mês depois, lutei no evento, enfrentando um atleta duríssimo do Muay Thai. Eu defendi o Jiu-Jitsu, o adversário a arte dele, e pude vencer na decisão unânime, dominando todos os rounds. Esses são os momentos mais especiais para mim.

– Além de atleta, você vem adquirindo cada vez mais um papel como professor, passando por um período bem interessante na Gracie Kore. Como foi essa transição de atleta para treinador e como você avalia seu trabalho atualmente? 

Minha transição de atleta para treinador vem ocorrendo naturalmente. Avalio que venho fazendo um trabalho cada vez melhor. Sei que o meu jogo de atleta, naturalmente, está embutido no meu arsenal como professor. Porém, como professor, tenho uma visão ampla, que vai além do meu jogo de atleta. Então, posso dizer que, como professor, sou melhor que como atleta. Adquiri muita bagagem fazendo treinos de Jiu-Jitsu, Wrestling, Greco-Romana, grappling, treinei com grandes atletas da modalidade. Como professor, consigo ver com maior facilidade o que meu aluno quer e vai fazer, como posso fazer meu aluno adquirir técnica para colocar a luta para baixo e controlar o jogo. Estudo muito, vejo muitas lutas e venho procurando evoluir sempre visando a melhora dos meus alunos na Gracie Kore. Estamos só no início, ainda pretendo melhorar muito, por isso viso cada vez mais me aperfeiçoar. Até a Kyra (Gracie) me disse uma vez: ‘Como atleta, você é um casca-grossa, mas como professor você é ainda melhor’. E eu fico muito feliz de ouvir isso. Estou fazendo um trabalho muito sério na Gracie Kore e quero que nossa equipe de competição cresça cada vez mais.

– Você possui uma metodologia bem interessante, que é o jogo do Wrestling voltado para o Jiu-Jitsu. Explique melhor como você desenvolveu isso e de que maneira você vem procurando passar isso para seus alunos e demais praticantes da arte suave? 

Eu desenvolvi a metodologia de Wrestling para Jiu-Jitsu naturalmente, porque comecei a treinar Jiu-Jitsu com 14 anos e, aos 19, iniciei no Wrestling e não parei mais, sempre conciliando os dois, sem parar. Quando eu estava na faixa-marrom, eu quis começar a competir no quimono e usar o Wrestling ali, de pano mesmo, nas competições. Vi o que dava certo e não dava, comecei a adaptar. Comecei a aplicar boas quedas de Wrestling no Jiu-Jitsu de quimono, a galera foi vendo e foram pintando convites de seminários, onde comecei a dar aulas de Wrestling voltado para o Jiu-Jitsu. Quando o mestre Zé Mário Sperry me apresentou a Kyra, eu já vinha fazendo isso há um tempo, e agora que não estou competindo, estou ensinando a metodologia para a equipe de competição da Gracie Kore. Venho aperfeiçoando isso cada vez mais, desenvolvendo a base, a movimentação certa e ensino o aluno a ter uma noção de distância, para aplicar a queda da maneira correta. É uma coisa muito ampla e que é dividida em três partes: ensino ao aluno o que é competir, ao professor que quer ampliar o arsenal do seu jogo para ensinar, e a terceira parte é o aluno que não é competidor e professor, mas que quer aprender para praticar. Esse é o meu foco no momento, ampliar cada vez mais essa metodologia para a equipe Gracie Kore.

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Vitor Ávila explicou sobre metodologia do Wrestling para o Jiu-Jitsu (Foto: Reprodução)

– Você também fez boas participações como comentarista em transmissões de eventos feitas pela TATAME. Como foi para você assumir também esse desafio?

Participar como comentarista nas transmissões da TATAME é muito satisfatório. Assumi esse desafio com muita alegria, porque estou sempre estudando as lutas, técnicas, então já é algo natural para mim. Muitas das vezes, vou falando e as coisas vão acontecendo em tempo real, de acordo com o que falei. Meu trabalho de coach é similar, vou interagindo com eles à medida que as coisas vão acontecendo, vou passando as instruções. São coisas diferentes, mas partem da mesma característica que eu tenho, na questão de avaliar os detalhes. É sempre um grande prazer ter essa função de comentarista nos eventos transmitidos pela TATAME.

– Por fim, quais são os seus próximos planos profissionais visando o ano de 2021?

Meus próximos planos são de continuar fazendo meu trabalho de professor na Gracie Kore, fazer meu trabalho junto com a Kyra Gracie na equipe de competição, crescendo e aperfeiçoando cada vez mais, sempre em busca da excelência na minha função como coach. Vou fazer mais uma luta ou outra de MMA, de repente luto mais alguns torneios de Jiu-Jitsu, porque é o que eu amo, mas meu trabalho e foco atuais são como professor.

* Por Mateus Machado

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