Brasileiro mira US$ 1 milhão em GP da PFL, mas avisa: ‘Não podemos nos deixar levar pelo prêmio’

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Por Mateus Machado

Após a primeira edição, realizada no último dia 7 de junho, a temporada regular de 2018 da Professional Fighters League, a PFL, terá sua segunda edição nesta quinta-feira (21), em Chicago (EUA). No GP da categoria peso-leve, o brasileiro Natan Schulte estará em ação e terá pela frente o ex-UFC Chris Wade em seu primeiro desafio. Vale lembrar que a PFL que teve sua criação após a extinção do WSOF e possui como atrativo o formato de “liga no MMA”, premiando os vencedores dos GPs por categoria com US$ 1 milhão cada.

Com 26 anos e um cartel de 11 vitórias e três derrotas no MMA profissional, Nathan recebeu a chance de lutar no PFL justamente por ter feito sua última luta pelo WSOF. Sem lutar desde março do ano passado, o atleta da American Top Team (ATT) teve uma longa preparação e, durante o tempo inativo, ajudou no camp de outros atletas da equipe. Em entrevista à TATAME, o lutador de Joinville (SC) falou sobre a expectativa de lutar em um GP onde o campeão receberá 1 milhão de dólares, além de outros assuntos relacionados.

“Lutar por um GP que vale 1 milhão de dólares acaba causando uma certa pressão, de todos os lados, por parte da família, equipe… Mas isso não pode deixar o atleta desfocar. O prêmio final é de 1 milhão, mas o atleta precisa fazer o seu papel e pensar luta por luta. Eu não vou ser o campeão se não vencer as primeiras lutas, então é foco”, disse o brasileiro.

Confira a entrevista completa com Natan Schulte: 

– Tempo sem lutar e convite para fazer parte do PFL

Já vai fazer um ano e três meses da minha última luta e ficar esse tempo todo sem lutar gera um receio, porque você perde ritmo. Mas durante todo esse tempo, eu treinei, por incrível que pareça (risos), fiz sparrings e ajudei muitos companheiros de treino para a preparação deles. Ficar esse tempo sem lutar é ruim, de 2014 até agora, vai ser apenas minha quarta luta, é praticamente uma luta por ano. Mas agora até o final do ano, eu espero lutar umas cinco vezes, chegar até a final e ser campeão (risos). Mas minha chegada ao PFL se deu pelo WSOF, porque eu já tinha lutado pelo WSOF e, quando eles fizeram esse novo formato, repaginado, eles me contrataram para o PFL. Eu não entrei por outra organização, eu já era da franquia, mas quando tudo mudou, eles só renovaram.

– Primeiro contato com os organizadores e impressões

Desde a minha última luta, pelo WSOF, já tinham alguns rumores de que seria mudado (do WSOF para o PFL), de que teria essa mudança, que o formato seria completamente alterado e que os atletas lutariam bastante. Tivemos o primeiro encontro em Orlando (EUA), quando eles organizaram uma convenção com os atletas dos GPs de todas as categorias, então ficamos em um hotel por três dias, fazendo fotos, vídeos e entrevistas. Lá, foi explicado como funcionaria toda a parte de pontuação, das regras, e já tivemos uma ideia de como seria. Foi bem interessante, ficamos animados, porque para os atletas de MMA acaba sendo muito bom quando surgem eventos fortes e acaba não tendo um “monopólio” da coisa. É bom para o atleta ter onde ele lutar, ser bem tratado e tudo mais. Eles (organização do PFL), antes de tudo, têm nos tratado muito bem, em todos sentidos.

– Pressão por lutar por uma premiação tão relevante

Lutar por um GP que vale 1 milhão de dólares acaba causando uma certa pressão, de todos os lados, por parte da família, equipe… Mas isso não pode deixar o atleta desfocar. O prêmio final é de 1 milhão, mas o atleta precisa fazer o seu papel e pensar luta por luta. Eu não vou ser o campeão se não vencer as primeiras lutas, então é foco. Toda luta vai ser uma final e onde estarei dando o meu melhor, para que eu chegue na grande final e seja o campeão do Grand Prix. Não podemos nos deixar levar pelo prêmio, isso é uma certeza.

– Análise das regras do evento e formato de Grand Prix

A questão das regras, de ter uma pontuação se você ganhar por nocaute ou finalização, dependendo de cada round… Se você vencer no primeiro round por nocaute ou finalização, você tem a pontuação máxima. Mas isso não muda muito para mim, porque em todas as minhas lutas, dificilmente elas vão para a decisão, porque eu sempre busco finalizar ou nocautear. Isso eu já busco fazer, sempre busco vencer o mais rápido possível, então não muda para mim o formato. A questão de ser um GP também é muito interessante.

– Treinos na American Top Team e grandes companheiros

Eu treino com muitos atletas brasileiros na ATT como o Raush Manfio, que é campeão do Titan FC, o Thiago Moisés, o Leandro Buscapé, o Gleison Tibau, que é um cara com quem eu treino bastante. Eu treino muito com eles, além de outros caras, que agora não vou lembrar todos (risos). São caras que me ajudam bastante no dia a dia, nos treinamentos.

– Análise do ex-UFC Chris Wade, seu adversário no GP

Eu já estudei meu adversário e vi que ele já fez 4/5 lutas no UFC. É um wrestler, mas ele tem uma parte em pé boa também. Pelo que eu vi, acho que o meu jogo é mais completo que o dele, eu sou faixa-preta de Jiu-Jitsu e, se não me engano, ele é faixa-roxa. Mas não apenas por esse fato, o meu jogo consiste em agarrar, prensar, trabalhar bem o ground and pound, pressionando o cara e, tendo a brecha, eu busco a finalização. Então, eu acho que o jogo dele não casa com o meu e, apesar dele ser do Wrestling, acho que tenho um jogo de quedas que vai complicar o lado dele, então acredito que isso vai me ajudar muito.

– Aumento da concorrência com o UFC pelo PFL e outros

É importantíssimo para o MMA não ter o monopólio de um evento. Porque se você parar para pensar, o atleta quer chegar no UFC, e saindo de lá, o que ele vai fazer? É o seu sustento, é do MMA que o lutador tira o seu dinheiro. Se não tiver uma outra organização boa, que dê boas condições, o que o lutador vai fazer? É o que está acontecendo com o PFL agora e também com eventos russos, como o ACB. Muitos brasileiros e outros atletas são contratados e recebem uma bolsa boa, é uma boa grana. Eles pegam alguns atletas que saem do UFC e pagam uma bolsa praticamente igual ao que recebiam lá. Isso é muito bom para o atleta, é importante não ter só uma organização que comande tudo, e sim umas outras cinco organizações que paguem bem também. É o sustento da nossa vida. Eu lutava no Brasil e a maior bolsa que eu ganhei lá foi de 2.500 reais. Para um atleta profissional, que se dedica três meses para uma luta, você luta, se machuca, fica um ano sem lutar, e aí? Eu fiquei um ano e três meses sem lutar, e o que o cara vai fazer com isso? Vai ter que trabalhar, fazer outra coisa da vida dele? Então o MMA não pode ser o sustento do cara? É preciso que muitos eventos paguem uma boa bolsa, o atleta merece ser valorizado. Não precisa receber uma bolsa de 500 mil, mas sim uma bolsa justa para ele, para o sustento.

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