Artigo: como professores de artes marciais podem ajudar a identificar e lidar com a depressão infantil

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* Como os professores e mestres irão identificar a depressão infantil diante das alterações comportamentais nos últimos anos? Alguns têm o hábito de chamar as crianças de preguiçosas, outros apelidam de irresponsáveis e, por fim, decretam que esse tipo de criança não tem mais jeito e que não querem saber de fazer nada da vida.

Se vocês, mestres e professores de artes marciais, tiveram esse tipo de postura lamentável diante do seu aluno, criticando e julgando sem buscar compreender o que está acontecendo, eu recomendo que você estude sobre o assunto ou até mesmo faça uma avaliação psicológica para entender o que está se passando com você, pois criticar alunos de forma leviana, muitas vezes o problema está relacionado ao professor e não ao aluno. Mas isso é tema para o próximo artigo.

Nota: Há muita controvérsia a respeito da depressão na infância, principalmente quanto aos critérios de diagnóstico. Alguns autores afirmam que a depressão na criança assume características diferentes da depressão no adulto (Ajuriaguerra, 1976; Lippi, 1985), enquanto outros concordam que a depressão na infância se manifesta de forma bastante semelhante às manifestações do adulto. De acordo com DSM IV (1994), manual frequentemente empregado no diagnóstico de transtornos mentais, a depressão infantil é semelhante à depressão no adulto, de forma que os mesmos critérios de diagnósticos de depressão no adulto podem ser utilizados para avaliar a depressão na criança. Segundo esse manual, os sintomas de depressão são: humor deprimido na maior parte do dia, falta de interesse nas atividades diárias, alteração de sono e apetite, falta de energia, alteração na atividade motora, sentimento de inutilidade, dificuldade para se concentrar, pensamentos ou tentativas de suicídio. Bahls (2002) salienta que vários autores têm chamado a atenção para a depressão na infância, pois além desta ter seu reconhecimento instituído, sua ocorrência se dá cada vez mais precoce, com aumento também de sua frequência. O autor enfatiza ainda que a depressão na infância tem caráter duradouro e evasivo, afetando assim, múltiplas funções e causando significativos danos psicossociais.

Dentro das academias de artes marciais, pode ser sinal de alerta uma criança anteriormente bem-socializada e entrosada com a equipe de treino e que passa a se isolar. Não consegue se concentrar, mostrando desinteresse pelas atividades propostas no tatame, e a falta de motivação precisa ser investigada o mais rápido possível, orientando a família sobre a mudança brusca no comportamento do filho.

Geralmente, esses alunos reclamam de cansaço, dores na cabeça ou dores na barriga, sentimentos de culpa, baixa autoestima, choro excessivo, insônia, fala em ritmo devagar e de forma monótono e monossilábica. 

Quais são as causas?

As causas da depressão estão relacionadas com a origem multifatorial. Influências genéticas associadas a fatores bioquímicos, hormonais e ambientais. Dados epidemiológicos revelam que a história de depressão na família é fator de risco para o diagnóstico, sendo que filhos de pais com depressão apresentam três vezes mais chances de desenvolver o transtorno durante a vida quando comparado a filhos de pais não depressivos.

Estudo de caso

Foi quando Mariana, com apenas oito anos de idade, foi trazida pela mãe para avaliação psicológica, que relatou uma grande mudança, sem motivo aparente, no comportamento da filha nos últimos meses. A disposição de sua filha, feliz e entrosada, fora trocada por tristeza, apatia e isolamento. Seu prazer de viver havia sido trocado pela desesperança, e seu relato era de que não aguentava mais viver, que a vida havia perdido o sentido e que desejava morrer.

O que fazer?

O tratamento da depressão na infância e na adolescência envolve a associação de medicamentos antidepressivos, psicoterapia e psicoeducação para orientação de pais e professores. Lembrando que quadros de depressão leve não requerem o apoio medicamentoso, enquanto quadros moderados a graves devem ser tratados com o uso desses medicamentos. Antes de criticar esses tratamentos, dizendo que o Jiu-Jitsu cura ou que você precisa ter fé, irá concluir que você está sendo negligente com a saúde mental do seu aluno. 

O transtorno depressivo não tratado pode comprometer o desenvolvimento e o funcionamento social da criança e do adolescente. Esses prejuízos podem repercutir durante toda vida. Provavelmente, muitos episódios depressivos identificados em pacientes adultos são, na verdade, recorrentes de um transtorno depressivo iniciado na infância ou na adolescência, e muitos deles cometem o suicídio antes da vida adulta. Por esses e outros motivos, vamos ficar atentos em relação aos nossos alunos, pois só assim podemos prevenir problemas maiores.

Sites recomendáveis:

  • Depressão infantil: uma revisão bibliografica (psicologia.pt) DEPRESSÃO INFANTIL: UMA REVISÃO BIBLIOGRAFICA 2017 Elizete Venson do Nascimento Marconi Psicóloga graduada pela Faculdade da Amazônia campus Vilhena/RO (Brasil) Pós-graduanda em Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstic
  • Livro Psic. escolar e educ (scielo.br)  Psicologia Escolar e Educacional, 2003 Volume 7 Número 1 77-84 . DEPRESSÃO INFANTIL: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PRÁTICA EDUCACIONAL, Miriam Cruvinel , Evely Boruchovitch. 

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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